Imunidade de rebanho

A idéia de “gerenciar a disseminação” de uma doença para que a população ganhe imunidade, conhecida como “imunidade de grupo” ou “efeito rebanho”, de acordo com esse conceito, aqueles que estão em risco de infecção podem ser protegidos porque estão cercados por pessoas resistentes à doença. Pallab Ghosh – BBC News

A “imunidade de grupo” é normalmente usada por epidemiologistas para falar dos benefícios da aplicação de vacinas recebidos por pessoas que não as tomaram. Isso porque, uma vez vacinados, elas ganham imunidade contra um determinado patógeno, beneficiando indiretamente toda uma comunidade, inclusive aqueles que não tiveram acesso à vacinação.

Imunidade de rebanho é o conceito que explica como a maioria de uma população adquire resistência a um agente infeccioso, pode-se cogitar que apenas cruzar os braços enquanto a população fosse infectada pelo novo coronavírus e protegendo os mais vulneráveis.

imunidade de rebanho pode ser entendida assim, quanto maior o número de infectados pelo SARS-CoV-2, mais pessoas se tornariam resistente ao vírus devido à memória imunológica adquirida, chegando a um momento em que o patógeno pararia de se disseminar a rodo por falta de hospedeiros suscetíveis.

problema desse raciocínio é que o coronavírus é um agente infeccioso novo e não sabemos quantas pessoas ele é capaz de infectar caso nenhuma medida seja adotada. Além disso, a imunidade de rebanho tem ótimos resultados quando é feita de forma controlada, utilizando vacinas. Natalia Pasternak e Luiz Gustavo de Almeida

Era comum mães de crianças com catapora ou sarampo juntarem os filhos contaminados com outros pequenos saudáveis. Eram as “festas do sarampo”. Até podia funcionar, mas o processo não era isento de riscos. 

O número de reprodução básico (R0) é utilizado para medir o potencial de transmissão de um vírus, esse número é uma média de para quantas pessoas um paciente infectado é capaz de transmitir o patógeno, assumindo que as pessoas próximas ao paciente não são imunes a ele, fatores como condições ambientais, forma de transmissão, duração da infecção e comportamento da população infectada, afetam diretamente o cálculo.

O número de infecção efetivo (R), considerando que uma população raramente será totalmente suscetível a uma infecção no mundo real. Alguns contatos estarão imunes devido a uma infecção prévia que conferiu imunidade ou como resultado de imunização anterior, pela ação das vacinas. Portanto, nem todos os contatos serão infectados e o número médio de casos secundários por caso infeccioso será menor que o número básico de reprodução. Nesse cálculo, levamos em consideração as pessoas que são suscetíveis e não suscetíveis.

Com essas informações apresentadas, podemos concluir que, caso o valor de R seja maior do que 1, o número de casos aumentará, iniciando uma epidemia. Para que um vírus pare de se espalhar, o R tem que ser menor do que 1. Para fazer uma estimativa de R, multiplicamos o valor de R0 pela fração suscetível de uma população.

Utilizando o mesmo exemplo do sarampo, temos o R0 = 15. Esse vírus começa a se disseminar em um local em que 60% da população é imune, logo 40% da população é suscetível. O número reprodutivo efetivo para o sarampo nessa população é 15 x 0,4 = 6. Nessas circunstâncias, um único caso de sarampo produziria uma média de seis novos casos.

Utilizando o mesmo exemplo do sarampo, temos o R0 = 15. Esse vírus começa a se disseminar em um local em que 60% da população é imune, logo 40% da população é suscetível. O número reprodutivo efetivo para o sarampo nessa população é 15 x 0,4 = 6. Nessas circunstâncias, um único caso de sarampo produziria uma média de seis novos casos.

No cenário do sarampo, já conseguimos captar a importância da vacinação e podemos entender por que os agentes de saúde defendem que, nesse caso, precisamos ter uma cobertura vacinal de 95% da população. Não adianta 90%, tem que ser 95%. Veja os cálculos nesses dois cenários com esse vírus:

  • Se vacinarmos 90% da população, estimamos que 10% da população é suscetível, portanto o cálculo de R é 15 x 0,1 = 1,5. O R ainda é maior do que 1 e o vírus vai se espalhar.
  • Se vacinarmos 95% da população, estimamos que 5% da população é suscetível, portanto o cálculo de R é 15 x 0,05 = 0,75. O R é menor do que 1 e o vírus vai parar de se disseminar.

 Vacinar, portanto, não é uma questão pessoal, mas social. Ainda assim, vale notar que, em 2019, tivemos mais de 13 mil casos de sarampo no Brasil.

A conta toda é bem mais complicada e simplificamos ao máximo para que se tenha uma ideia da importância da vacinação e da irresponsabilidade de deixar a população exposta ao vírus sem tomar medidas não farmacológicas, caso do isolamento social.

Imunize-se: Pegadas na areia, Nós existimos para ajudar aqueles que precisam, Timo, Uma pandemia simulada?!?, Córnea feita de células-tronco “reprogramadas”, Abelha, o ser humano mais importante do planeta

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