Agro será mesmo?

Campanhas milionárias do agronegócio são divulgadas pela grande mídia. Em especial na rede globo, cujos proprietários são grandes produtores rurais. Imagens mostram plantações e colheitas com máquinas fantásticas e cortam para os produtos nos supermercados. O telespectador pouco informado não tem como duvidar: é uma maravilha, o que seríamos de nós sem o agronegócio. Blog do Conde

Concordar que agro é tech não é difícil. Aquelas máquinas imensas que devem substituir centenas de trabalhadores, podem ser consideradas tech. Já aceitar que é pop fica mais difícil. De popular não tem nada. E ainda são responsáveis por diversos problemas ambientais, pois desequilibram o ecossistema e provocam o empobrecimento do solo. Mas dizer que agro é tudo, é demais. É uma mentira deslavada, principalmente quando a propaganda leva o telespectador a imaginar que aquela produção rica e tech vai estar nas vendas e nos supermercados.

“Manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”. No mesmo dia, em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, declarou Bolsonaro: “Vou buscar pacificar o nosso Brasil. Nós vamos pacificar. Sem eles contra nós ou nós contra eles. Nós temos como fazer políticas que atendam o interesse de todos”. Blog do Conde

Desde a sua posse, ao contrário de seu juramento e de sua primeira declaração como presidente, Jair Bolsonaro não fez outra coisa a não ser dividir a população brasileira, criando inimigos imaginários e atrelando o Brasil aos interesses dos EUA. Para ele, quem não reza em sua cartilha negacionista, é comunista e traidor da pátria. E comunista para ele pode ser o Papa ou qualquer um que lhe faça oposição.

Não vai estar não. Aquelas monoculturas são para exportação, que é o negócio do agro. Quem coloca o alimento nas prateleiras das vendas e nas gôndolas dos supermercados leva o nome de agricultura familiar. Segundo a ONU, cerca de 80% de toda a comida do planeta vem desse tipo de produção.

No Brasil, a agricultura familiar envolve aproximadamente 4,4 milhões de famílias e é responsável por gerar renda para mais de 70% dos brasileiros que vivem no campo. De acordo com o censo agropecuário de 2017, realizado pelo IBGE, 77% dos estabelecimentos rurais no Brasil são classificados como sendo de agricultura familiar. Ainda assim, esses pequenos produtores, que são os responsáveis em colocar o alimento nas mesas dos brasileiros, têm acesso a apenas 14% de todo o financiamento disponível para a agricultura.

Outro importante parceiro para garantir o alimento ao brasileiro tem sido o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), por intermédio de seus assentamentos. A  agricultura familiar do MST, localizada no Rio Grande do Sul, é a maior produtora de arroz orgânico da América Latina. O que sobra no mercado interno é exportado para diversos países, como EUA, Portugal, Itália, China e Emirados Árabes. Por falar em MST, o movimento já doou, desde o início da pandemia, mais de 3.400 toneladas de alimentos.

São tantas aberrações que, confesso, dá até revolta enumerar os absurdos dos feitos e o desatino das declarações do capitão e de seus capitaneados. Triste Brasil, diria hoje o nosso Drummond. Blog do Conde

Felizmente, ainda temos jornalistas afiados que tentam, a duras penas e pouco apoio publicitário, revelar o Brasil real a seus leitores, ouvintes e espectadores. Não são muitos como o Diário do Centro do Mundo, Brasil 247, Revista Fórum e Intercept Brasil. E ainda alguns bons comunicadores espalhados web afora. Entre eles, o excelente Gregório Duvivier (Greg News).

Agrize-se: AGROFLORESTA: 50 x 100, From garden to forest e Agroflorestar, La Agroecología en tiempos del COVID-19, Cursos online e gratuitos sobre agrofloresta, permacultura e ecodesign, Mônica Lopes Ferreira toma o chá de agrotóxico, aceita um gole?!?, Substituto de agrotóxico: eucalipto, Dermacação agropop

Vacinas. A opinião de Machado de Assis

Crônica, 9 de dezembro de 1894

Quando Machado de Assis encontrou Epitácio Pessoa no Rio de Janeiro | JOTA  Info

“Tudo tende à vacina. Depois da varíola, a raiva; depois da raiva, a difteria; não tarda a vez do cólera-morbo.

O bacilo-vírgula, que nos está dando que fazer, passará em breve do terrível mal que é, a uma simples cultura científica, logo de amadores, até roçar pela banalidade. (…)

Todas as moléstias irão assim cedendo ao homem, não ficando à natureza outro recurso mais que reformar a patologia.

Não bastarão guerras e desastres para abrir caminho às gerações futuras; e demais a guerra pode acabar também, e os próprios desastres, quem sabe? obedecerão a uma lei, que se descobrirá e se emendará algum dia.


Sem desastres nem guerras, com as doenças reduzidas, sem conventos, prolongada a
velhice até às idades bíblicas, onde irá parar este mundo? Só um grande carregamento, ó doce mãe e amiga Natureza; só um carregamento infinito de moléstias novas.


Mas a vacina não se deve limitar ao corpo; é preciso aplicá-la à alma e aos costumes, começando na palavra e acabando no governo dos homens.

Já a temos na palavra, ao menos, na palavra política. Graças às culturas sucessivas, podemos hoje chamar bandido a um adversário, e, às vezes, a um velho amigo, com quem tenhamos alguma pequena desinteligência. Está assentado que bandido é um divergente. Corja de bandidos é um grupo de pessoas que entende diversamente de outra um artigo da Constituição.

Quando os bandidos são também infames, é que venceram as eleições, ou legalmente, ou aproximativamente. (…)

Conhecido o princípio, sabido que tudo deriva de um micróbio, inclusive o vício e a virtude, obtém-se pelo mesmo processo a eliminação de tantos males.

O boato tem sido descomposto de língua e de pena, é um monstro, um inimigo público, é o diabo, sem advertirem os autores de nomes tão feios, que o boato é a cultura atenuada do acontecimento. Daqui em diante a história se fará com auxílio da bacteriologia.


As eleições, – uma das mais terríveis enfermidades que podem atacar o organismo social, – perderam a violência, e dentro em pouco perderão a própria existência nesta cidade, graças à cultura do respectivo bacilo.

Aposto que o leitor não sabe que tem de eleger no último domingo deste mês os seus representantes municipais? Não sabe. Se soubesse, já andaria no trabalho da escolha do candidato, em reuniões públicas, ouvindo pacientemente a todos que viessem dizer-lhe o que pensam e o que podem fazer. (…)”

Vacize-se: Thomas Malthus ou Thanos, Imunidade de rebanho, Gripe Espanhola, Centro Municipal de adoção de cães e gatos, A Revolta dos Macacos, CORTA-JACA, Doenças que podem ser tratadas com Canábis Medicinal, Joaquim