Câncer e depressão!?!

A detecção de câncer NÃO É UMA SENTENÇA DE MORTE. Heloisa Lima Sentido do Ser

O fato é que precisamos aceitar qualquer diagnóstico como parte da história física e emocional da pessoa acometida para, a partir de então, entendermos que a doença tornou-se um componente dela. Uma parte do todo.

Nesta fase, no entanto, tanto os pacientes quanto os familiares passam a se sentirem incapazes de enfrentar a realidade.

Muitos estudos vêm demonstrando que fatores psicológicos podem afetar o sistema imunológico ainda que isto nem sempre signifique que os mesmos fatores possam levar à cura das doenças.

No geral, as pessoas depressivas não produzem mais cânceres que as demais.

Embora a depressão não seja necessariamente um fator de risco para o desenvolvimento de um câncer, sabemos que o depressivo crônico que sente uma tristeza recorrente, uma perda de interesse ou de capacidade de sentir prazer, uma fatigabilidade anormal, durante vários anos, está duas vezes mais propenso a ter câncer do que a pessoa não depressiva ou cuja depressão é apenas transitória.

Logo, a combinação de um transtorno depressivo com uma doença física grave como o câncer, pode tornar a identificação e o necessário tratamento da depressão mais difícil. Seus sintomas podem ser subestimados e atribuídos à doença principal.

O médico ou o terapeuta podem identificar e orientar aqueles que mostrem sinais de abatimento exagerado, prostração, melancolia exacerbada. A importância do tratamento de uma síndrome depressiva é capaz de prevenir que a doença progrida para a depressão crônica ou profunda.

Tanto o bom humor quanto o sorriso e a risada são manifestações primordiais para se superar a pressão do estresse e das dificuldades cotidianas. Trata-se de uma constatação universal que independe de cultura, idade e gênero.

Conemo

O aplicativo Conemo (sigla para Controle Emocional) foi desenvolvido por pesquisadores da USP, do King’s College, de Londres, da Universidad Cayetano Heredia, no Peru, e da Northwestern University, nos Estados Unidos, com financiamento do National Institute of Mental Health (NIMH). Bruna Irala – Jornal da USP

Durante seis semanas, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabete, que apresentavam sintomas de depressão leve, participaram de um experimento para o tratamento do transtorno depressivo com o auxílio da tecnologia. O aplicativo Conemo (sigla para Controle Emocional) foi desenvolvido por pesquisadores da USP, do King’s College, de Londres, da Universidad Cayetano Heredia, no Peru, e da Northwestern University, nos Estados Unidos, com financiamento do National Institute of Mental Health (NIMH), para reduzir os sintomas da depressão dos pacientes por meio de uma série de sessões de ativação de comportamento, uma técnica da terapia cognitivo-comportamental que induz a pessoa a realizar atividades diárias prazerosas ou significativas para si. A intervenção digital conseguiu reduzir em 50% os sintomas de depressão nos pacientes que participaram do estudo. 

Um artigo descrevendo o projeto, Effect of a Digital Intervention on Depressive Symptoms in Patients With Comorbid Hypertension or Diabetes in Brazil and Peru: Two Randomized Clinical Trialsfoi publicado em maio na revista científica JAMA.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a depressão como uma doença incapacitante caracterizada por uma tristeza constante e falta de interesse e prazer em realizar atividades do dia a dia ou que anteriormente foram prazerosas.

Segundo o responsável pelo projeto, o professor de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Paulo Rossi Menezes, a ideia principal desse tipo de abordagem é “ampliar o acesso de pessoas com doenças crônicas e sintomas de depressão a algum tipo de cuidado que possa melhorar a vida delas sem precisar recorrer diretamente ao especialista, psicólogo ou psiquiatra.”

O aplicativo foi instalado em celulares entregues aos pacientes para uso restrito do experimento. As informações coletadas foram armazenadas em uma nuvem de dados de modo que os profissionais de enfermagem integrantes do projeto puderam acompanhar o progresso dos pacientes.

Duas cidades integraram a pesquisa: São Paulo, no Brasil, e Lima, no Peru. Em São Paulo, o estudo contou com a participação de 20 unidades de saúde da família na Zona Leste do município, com 880 pacientes ao todo. Metade fez parte do grupo controle. Eles receberam apenas o tratamento de rotina, ou seja, acompanhamento clínico e uso de medicamentos, mas sem o auxílio do aplicativo. A outra metade utilizou o aplicativo durante as seis semanas do projeto e recebeu tratamento clínico, quando necessário. Em Lima, 420 pessoas participaram da pesquisa, sendo 210 em cada grupo. O experimento com o aplicativo durou seis semanas, com três sessões de 10 minutos por semana.

 Se, por exemplo, o paciente deixasse de interagir com o aplicativo ou perdesse sessões, um enfermeiro entrava em contato para auxiliá-lo a dar continuidade às atividades. 

Ao final de três meses, os pesquisadores observaram uma maior proporção de pessoas com redução importante de sintomas no grupo que usou o aplicativo, em comparação ao grupo controle.

De acordo com o pesquisador, o resultado permitiu evidenciar que o aplicativo é, de fato, “uma ferramenta que ajuda pessoas nessa condição e pode ser utilizado sem a necessidade de um acompanhamento clínico especializado, o que amplia muito o acesso de pessoas a esse tipo de cuidado”.

A previsão dos responsáveis pelo aplicativo Conemo é de que uma nova versão será disponibilizada nas lojas de aplicativos de celulares em três meses, tanto para uso da população em geral, quanto para uso de profissionais de saúde, de forma que o seu acesso seja ampliado a um público maior e possa auxiliar no tratamento de outras pessoas.

Mais informações: e-mail pmenezes@usp.br, com o pesquisador Paulo Menezes Rossi

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