A OMS removeu a maconha da categoria de drogas?

No final de julho de 2020, diversos sites espalharam a informação a respeito de uma nova classificação que teria sido anunciada pela Organização Mundial da Saúde. Sites como o Medicina News e o Diário Online afirmaram que a OMS teria removido, em seu último balanço, a maconha da categoria de drogas. A afirmação também foi bastante compartilhada nas redes sociais e em grupos do WhatsApp. Gilmar Lopes – E-farsas

No começo de julho de 2020, o site indiano de checagem de fatos Fact Crescendo entrou em contato com a Organização Mundial da Saúde, que lhe respondeu não ter tirado a maconha da categoria de drogas!

Conforme explicado pelo site Smoke Buddies, a posição da OMS em relação à maconha é que a entidade chegou a emitir um documento com recomendações para reduzir o controle internacional sobre a cannabis, mas a análise de um órgão de monitoramento das Nações Unidas concluiu que tais recomendações teria pouco impacto no controle internacional de drogas, a maioria dessas recomendações foi analisada e “vetadas” pela Organizaçao das Nações Unidas, após análise, isso foi em janeiro de 2019.

O ministro da Cidadania, Osmar Terra (MDB), tem usado informações e dados falsos ao falar sobre a possível legalização do plantio de maconha para fins medicinais e científicos em entrevistas ao longo dos últimos dois meses. Bruno Fávero – Aos Fatos

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que está com duas consultas públicas abertas sobre o assunto, foi acusada por Terra de querer forçar a legalização da droga no país.

Veja abaixo um resumo do que checamos:

1. Diferente do que diz o ministro, a Anvisa não estará contrariando a legislação se permitir o plantio de maconha para fins medicinais ou científicos. A Lei de Drogas, de 2006, já prevê essa possibilidade;

2. Também não é verdade que toda a propriedade medicinal da maconha esteja restrita ao canabidiol, uma das substâncias derivadas da planta. Existem remédios à base de THC, outro dos mais de cem canabinóides presentes na erva, e as pesquisas estão no começo;

3. É impreciso sugerir que a legislação restritiva da Suécia acabou com o problema das drogas no país. Embora os suecos apresentem consumo abaixo da média europeia de maconha e cocaína, o país tem a segunda maior taxa de mortalidade por drogas do continente e uma alta taxa de infecção por hepatite C entre usuários;

4. Também é impreciso dizer que 198 nações proíbem o plantio da maconha. A ONU só tem 193 países-membros (e mais dois observadores). Um levantamento de 2017 listava 12 países em que o cultivo era permitido. Desde então, ao menos outras 19 nações legalizaram a plantação para fins medicinais;

5. O ministro exagerou ao dizer que, em 2013, o número de auxílios-doença concedidos por dependência de álcool foi quatro vezes menor do que a soma de casos relacionados a outras drogas. Apesar de os auxílios ligados ao consumo de álcool terem, de fato, caído, eles continuavam naquele ano como a principal motivação de dependência química entre os novos beneficiários;

6. É verdade que o canabidiol pode ser produzido em laboratório. Um medicamento do tipo está na fila para ser aprovado pela FDA, agência que regula os remédios e alimentos nos EUA. Também há artigos científicos descrevendo como sintetizar o composto.

Em 2006, a dependência de álcool foi a razão de concessão de 13.760 auxílios-doença. A segunda droga que, sozinha, mais motivou benefícios foi a cocaína (2.434) e, depois, os canabinóides (275). Casos em que os beneficiados consumiram mais de uma droga ao mesmo tempo (o levantamento não especifica quais) somaram 7.295.

Em 2013, os casos relacionados ao abuso de álcool caíram 11%, para 12.123. Já os de cocaína totalizaram 8.490 benefícios, um aumento de 249% em relação a 2006. O mesmo aconteceu com o uso de múltiplas drogas, que foi para 21.688, variação de 197%.

Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a planta e seus principais componentes sejam reclassificados em tratados internacionais contra drogas. Os especialistas da entidade pedem que a maconha e o haxixe (obtido a partir da resina da cannabis) sejam removidos do Schedule IV, a categoria mais restritiva de uma convenção mundial de drogas realizada em 1961, assinada por países de todo o mundo.  ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

O Schedule IV é a categoria reservada para substâncias particularmente nocivas e com pouco uso medicinal, nela que se enquadram as drogas mais perigosas, como como LSD ou heroína.

O documento ainda não foi oficialmente formalizado, mas já está circulando entre os defensores da substância, relata a Forbes. No pedido, os especialistas querem que a planta, o haxixe e o tetraidrocanabinol (THC) sejam todos designados no Schedule I, onde se enquadram substâncias menos danosas e com propriedades curativas ou medicinais.

“O posicionamento da maconha no tratado de 1961, sem evidências científicas, foi uma terrível injustiça. Hoje, a OMS tem a oportunidade de corrigir um erro. Espero que a política não atrapalhe a ciência”, afirmou Michael Krawitz, veterano da Força Aérea dos Estados Unidos e defensor da legalização da maconha.

ZZZze-se: História da Maconha, Fibra de “maconha” na produção têxtil, Tabaco e álcool sim, Maconha não. Por que?!?, Onde estudar maconha medicinal?!?, Cursos de saúde da UFPB: Uso medicinal da maconha, Mais pessoas estão usando maconha como um substituto ao álcool e remédios, diz estudo

Fibra de “maconha” na produção têxtil

O Congresso do país EUA aprovou a Lei da Agricultura de Cânhamo, que legaliza o plantio da planta, e a indústria local da moda já está se movimentando para substituir o algodão pela planta na produção têxtil. Débora Spitzcovsky – The Greenest Post

O cânhamo produz, por hectare, o dobro de fibras do que o algodão, demanda um décimo da água usada no seu plantio e ainda requer muito menos pesticidas e herbicidas, segundo previsões da empresa de investimentos New Frontier, o setor de cânhamo movimentará US$ 5,7 bilhões até o ano que vem.

A fibra da planta, que se difere da maconha pela composição, e que já serviu muito às fabricações de papel e de têxteis diversos, num uso milenar, até a proibição da cannabis pelos Estados Unidos, na primeira metade do século passado. Decisão que influenciou o Brasil, precisamente, em 1938, num decreto de Getúlio Vargas. Cheeba News

O cânhamo tem na sua composição menos de 0,3% de THC, o tetrahidrocanabinol, princípio psicoativo mais potente da maconha. Por outro lado, há nele maior concentração (cerca de 20%) de CBD, o canabidiol, substância testada com sucesso no tratamento de doenças. Logo, seu barato é outro. Na verdade, são outros.

Na agropecuária e na indústria têxtil (pois não esqueçamos que há uma relação estreita entre esses dois setores), o cânhamo performa como uma alternativa bastante sustentável. É cultivado em qualquer solo, não requer uso de agrotóxicos e carece de pouquíssima água. Sua fibra pode ser colhida já três meses depois de plantado, e é uma das mais fortes e duráveis, senão a mais, entre as têxteis naturais, como o algodão, o linho e a seda, e em comparação com o algodão, é considerado mais eficiente no bloqueio da radiação ultravioleta e nas funções antibacteriana, de absorção e isolamento térmico.

O mercado do cânhamo, sobre o qual ronda o espírito do crescimento, tem a ver com a indústria têxtil, mas também com a farmacoquímica, a de cosméticos, suplementos e até pet, graças às propriedades do CBD, encontrado com vantagem do caule às sementes da planta.

Em 1937 o governo dos Estados Unidos aprovou a Marihuana Tax Act), proibindo o cultivo, venda e posse de qualquer planta pertencente ao gênero Cannabis. Em 1970, a Lei de Substâncias Controladas (Controlled Substances Act) foi aprovada durante a administração do presidente Nixon, colocando a Cannabis na Lista I, reservada para as drogas mais perigosas no país. O DEA (agência americana antidrogas) mantém que o cânhamo e a maconha são a mesma planta, apesar de suas características individuais. As fibras de cânhamo foram matéria-prima das solas de sapatos e dos paraquedas usados pelas tropas norte-americanas. HempMeds Brasil

Na “Farm Bill” de 2018, o cultivo de cânhamo foi legalizado nos EUA, contudo ainda existem regras estritas para o cultivo. Na seção 12619 do Farm Bill, os produtos derivados do cânhamo também saem da sessão I da Lei de Substâncias Controladas. Ou seja, todo e qualquer canabinoide – conjunto de compostos encontrados nas diversas variedades de Cannabis – passa a ser legal. Isso se aplica por exemplo, ao canabidiol (CBD). Contudo, tal legalidade ainda se limita às plantações regulamentadas e aprovadas pela USDA – Departamento de Agricultura dos EUA. Todo e qualquer outro tipo de produção que não respeite a Farm Bill continua ilegal e sob tutela da Lei de Substâncias Controladas.

Tecelagem industrial de cânhamo

O cânhamo de fato possui uma infinidade de usos industriais, podendo ser usado na fabricação de papel, cordas ou tecidos, e tem sido usado como um tipo de plástico biodegradável, mais sustentável do que plásticos tradicionais à base de petróleo, além de oferecer um combustível alternativo na forma de biodiesel. As fibras do cânhamo podem ser usadas na fabricação de materiais de construção e isolantes térmicos, como painéis e blocos de concreto.

O cânhamo também pode ser usado como alimento, tanto para humanos quanto animais. As sementes podem ser consumidas cruas, processadas para extrair seu óleo ou moídas em forma de farinha, que pode ser usada para fazer leite de cânhamo. Na Europa é muito comum utilizar sementes de cânhamo para alimentar aves e outros animais de fazendas.

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Antes de 1800, o cânhamo foi o tecido mais utilizado para vestuário, cordas e lona. Com a facilidade criada pelo descaroçador de algodão e a proibição da cannabis sativa em 1937, o cânhamo foi esquecido. Tulypa Uniformes

– Em média, um acre de cânhamo pode produzir duas a três vezes mais fibra do que um acre de algodão.

– O cânhamo desintoxica o solo através da remoção de substâncias químicas nocivas e poluentes e enriquece   o solo com nitrogênio e oxigênio. Já o algodão exige muito do solo.

– Quase 10% de todos os produtos químicos agrícolas e 25% de inseticidas vêm da indústria do algodão, que acabam indo parar no solo, rios e riachos. O cânhamo pode ser cultivado com muito menos produtos químicos, ou muitas vezes, nenhum.

– Cânhamo precisa de um terço da água que o planto do algodão necessita.

– O cânhamo é de 3 a 8 vezes mais forte do que o algodão (dependendo de como ele é processado). Os produtos têxteis duraram mais tempo.

– O tecido de cânhamo respira muito bem, absorve a umidade, protege a pele dos raios UV e é anti-bacteriano.

Quando o Mujica (ex-presidente do Uruguai) liberou a maconha em 2013 Bastos acreditou que o consumo de maconha entre os uruguaios iria aumentar, mas a verdade é que com a legalização nada mudou quanto ao consumo.

A fibra do cânhamo, vem resgatando sua importância como matéria prima de destaque da indústria têxtil e deverá movimentar cerca de US$ 300 milhões em vendas nos Estados Unidos até 2020, segundo estimativa do relatório Hemp Business Journal, divulgado pela revista Forbes. No passado deu origem ao tecido das velas das naus que impulsionaram os portugueses à conquista do Novo Mundo e que hoje ostenta etiquetas de famosas marcas internacionais do mundo da moda, ressurge como alternativa economicamente competitiva e ambientalmente sustentável frente ao algodão e aos tecidos sintéticos.

A perspectiva é que todo o mercado de produtos que usam a cannabis como matéria prima registre um crescimento de 700% ate 2020, atingindo um total de 2,1 bilhões (R$ 6,84 bilhões). Mantida a atual fatia do segmento têxtil nesta indústria, setor deverá movimentar aproximadamente (R$ 977 milhões) dentro de três anos.


A China, que de acordo com os registros históricos cultiva o cânhamo há mais de 7 mil anos, é o maior produtor mundial da fibra, responsável por 70% do volume mundial. Dados do Observatory of Economic Complexity mostram que, em 2016, o comércio internacional de fibra de cânhamo movimentou US$ 4,27 milhões (R$ 13,9 milhões), tendo os Países Baixos como maiores exportadores do produto (25%) e a Alemanha como maior importador (37%).

Vistaze-se: Hemp Car, Como enriquecer e educar licitamente falando!?!, Quem matou o carro elétrico?, Cursos de saúde da UFPB: Uso medicinal da maconha, A VERDADE por trás da proibição da MACONHA, Snoop Dogg Lion, Vende-se Maconha, Movida a água, Milton Friedman

Feliz dia das mãe e filha fumam maconha!?!

https://youtu.be/Ydx1Fbhmvn

Abra a Gaveta: mãe e filha fumam e debatem sobre maconha juntas [assista]

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Editado via celular.

FHC = THC

Droga é qualquer substância que introduzida em um organismo modifica suas funções, podendo ocasionar dependência química e/ou psíquica, é um termo que abrange uma grande quantidade de substâncias naturais ou sintéticas. Por exemplo o carvão, aspirina, fumo (nicotina), álcool (etanol) e o café (cafeína).

Fernando Henrique Cardoso, 80 anos, presidente da República entre 1995 a 2002.

“Em sociedades abertas e democráticas a opinião se forma neste entrechoque de idéias.”

No dia 2 de junho de 2011, entregou ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma proposta de revisão na política de combate às drogas. Um problema que afeta a todos e precisa ser enfrentado em seus múltiplos aspectos.


A sua peregrinação foi registrada no documentário QUEBRAMDO O TABU, dirigido por Fernando Grostein Andrade.

A importância do debate de questões que envolvem valores e comportamentos deve ser primeiramente discutida pela sociedade, antes que as decisões cheguem aos governos e parlamentos. A regulação de drogas como a maconha tem o objetivo de reduzir o poder do narcotráfico, preservar a saúde e a segurança das pessoas, oferecer tratamento e reabilitação (a redução do dano e a redução do consumo), investir na informação e prevenção para reduzir o consumo de drogas.

Fonte: Revista Época

“Breaking the Taboo”, versão internacional narrada por Morgan Freman, a versão em espanhol é narrada por Gael Garcia Bernal.

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Veja também: Scoring drugs, Por que Pinga?; Como a indústria do fumo enganou as pessoas?, Brasileiro Reclama De Quê?, Carnaval é Perfeição!, Reign Over Me, Meu nome é Jonas, Minha Alma (A Paz Que Eu Nao Quero), Hemp Car, Hora do Planeta, BEBER MENOS, Eu sou o meu Deus.