Relatos Salvajes

O humor sofisticado e inteligente é a principal característica de “Relatos Selvagens”, que foi escrito por Szifron e segue formato de antologia: são seis histórias diferentes, todas bastante regulares, algo raro no gênero, unidas por protagonistas fora de controle, que decidem fazer justiça com as próprias mãos. Luísa Pécora , iG São Paulo

Conviver, seja em casa, no trabalho ou no trânsito, é um exercício constante de paciência no qual nem sempre nos saímos bem. Naturalmente, algumas pessoas são mais tolerantes do que as outras, mas todo mundo tem um limite que, se quebrado, liberta o lado animalesco que há dentro de cada um de nós. Já viu esse? – LUCIANF 

Dirigido por Szifrón e fotografado por Javier Julia de maneira minimalista e praticamente invisível (o que se revela uma estratégia apropriada por conferir unidade visual ao projeto), Relatos Selvagens é irregular como boa parte das antologias, mas também pontualmente divertido em suas tentativas de vingar o espectador de bem das agruras da vida adulta neste mundo muitas vezes burocrático, algumas outras entediante e sempre limitador de nossos impulsos mais animais. Cinema de Buteco.

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3º opção

3º opção – Trilha Sonora Do Gueto

celular óctoc
na mão,
do zé polvim é uma arma poderosa nisso eu acredito sim
embocamo num assalto de pistola e matraca
e eu grudei logo o gerente
com a quadrada engatilhada
o meu parceiro com a matraca
dominava o salão
zé povim era mato
tudo deitado no chão
nóis achava que é o seguinte
que o baguio tava aguentado
mó engano sangue bom ,
tava memo era cercado
tinha rota
tava o goe a pm mais o gate
tava tipo aquela fita que cê viu na reportagem e eu grudado cum refém , comecei raciocinar
os motivos que fizeram eu no crime ingressar
residente do capão ,
ser humano pique jão
que não teve uma cultura
uma boa educação
morador de uma favela
que aprendeu morre por ela
nego ,né comédia não ,
sofredor que num dá guela
voltando para a real ,
eu me vi logo enquadrado
me lembrei ni um minuto
que eu tava ni um assalto
escutava gritaria
vamo pega ele já
vagabundo num tem vaga nesse mundo que deus dá
veja bem como é as coisa ninguém tinha coração
só eu e deus sabia da minha situação
eu peguei minha quadrada fui pa guerra com o sistema
só que pá é o seguinte sempre existe um dilema
a vida traiçoeira me pregou uma lição
eu só tinha 2 minutos pra vive 3 opção
se eu saisse pelo fundo eu morria assassinado
se eu vazasse pela frente pelos bico era linchado
e a 3º opção
era eu engatilhar a quadrada na cabeça
e eu mesmo me matar
só que deus tava presente
acredite eu
não me engano
em fração de 2 segundo
eu bolei aquele plano
“ai chara é o seguinte
eu só vo me entrega
quando aquele sem futuro
do datena me filma
to ligado que pu seis
eu nun valo um real
só que seis invadi
o refém vai passa mal
ele tá todo borrado ta mijado ta com medo
ta pagando até com juros
o racismo e o preconceito
derrepente” pá pá
caraio que tiroteio
fiquei com a cabeça a mil
me bateu um desespero
mais se eu sai daqui eu vo muda (2x)
parece que é hoje
quando eu da cena lembro
minha roupa cheia de sangue
eu algemado mo veneno
linchado pelos bico
com ajuda dos gambé
desacerto no crime
eu to ligado qual que é
um dia é da caça
outro do caçador
ditado que meu pai
já herdara do meu vô
quando eu era pivete
me lembro ele dizia
um homem sem moral
sempre entra numa fria
mas só que eu cresci
desandei virei ladrão
eu só tinha 18
quando eu fui pra detenção
ai choque a rua tá daquele jeito hó
mo par de mano armado nun
encherga um palmo na frente do nariz
pensa que é super ladrão
super heroi
só que ai jão
são paulo nun é hollywood
os cara ta iludido o diabo dá o pé
pra suaga até a alma
sorte que eu tenho os parceiros
lado a lado comigo
pra debater minhas loucuras
seis deve ta achando que isso é ibope
ibope é trabalha
eu encano era lok
os manos na ventana
gritava “vai morre
triagem na cadeia
se não tive proceder”
foi lá que eu conheci
a tal dá rua 10
também foi lá que eu li a história de moises
o tempo foi passando
eu fui me adaptando
e quando eu fui nota
já passara 7 ano
bem que o meu pai dizia
“filho o tempo é rei
tentei te dar o melhor me desculpe se eu falhei”
aquilo na minha mente batia tipo tyson
viver na detenção tem que ser homem de aço
o homem só é grande quando ele se ajoelha diante do senhor pra tomar puxão de orelha
naquela madrugada
não consigui dormi
fazendo um castelo
liberdade vem ni mim
o tempo foi passano
meu corpo foi cansano
o dia clariano
na seqüência eu fui deitano
mais se eu sai daqui eu vo muda
dá meu revolver enquanto cristo não vem
mais se eu sai daqui eu vo muda
mais de 15 caras lá fora diversos calibres
mais se eu sai daqui eu vo muda
quero sair do inferno e não volta mais
mais se eu sai daqui eu vo muda
vida loka o os bandido beneficente, maluco consciente
mais se eu sai daqui eu vo muda
este é um testemunho de um homem

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Urna fraudetrônica

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erronosistemabrazil
votoimpressoja
Urna eletrônica ou máquina de votação é a combinação de equipamentos mecânicos, eletromecânicos ou eletrônico (incluindo software, firmware e documentação necessária para controle do programa e apoiar equipamento), que é usado para definir escrutínios; expressos e contagem de votos; para relatar ou exibir resultados eleitorais; e para manter e produzir qualquer informação de trilha de auditoria. As primeiras máquinas de votação foram mecânicas, mas é cada vez mais comuns o uso de máquinas de votação eletrônicas. Wikipédia, a enciclopédia livre.

Otário A. Anonymous

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De Quem é a Culpa?

De Quem é a Culpa? – Filosofia Reggae

De quem é a culpa, da miséria do nosso brasil
De quem é a culpa, da favela na beira dos rios
De quem é a culpa, desse salário vergonhoso
Ninguém se preocupa, com a vida do nosso povo
Não posso ficar parado, vendo tudo acontecer
Presidentes e deputados, abusando de seu poder
Estenda-se levante, não tente tapar o sol com a peneira
Acorde meu amigo, não seja uma vítima do sistema
De quem é a culpa, da miséria do nosso brasil
De quem é a culpa, da favela na beira dos rios
De quem é a culpa, desse salário vergonhoso
Ninguém se preocupa, com a vida do nosso povo

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PÁTRIA MADRASTA VIL

‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência… Exagero de escassez… Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.

Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.

O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.

Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil; está mais para madrasta vil.

A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!

É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!

A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.

Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?

Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.

Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?

Clarice Zeitel Vianna Silva, 26, estudante da Faculdade de Direito da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ), concorreu com outros 50 mil estudantes universitários, foi a Paris receber um prêmio da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por uma redação sobre ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade.’ A redação intitulada ‘Pátria Madrasta Vil’, foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da UNESCO.

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