Adriana Plens e o Tanque Grande

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Entre os séculos XVI e XVII, antes que se iniciasse o Ciclo do Ouro em Minas Gerais, o território atualmente ocupado pelo município de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi o principal polo de produção aurífera do País. O levantamento desse patrimônio – que inclui longos túneis escavados na rocha para o fornecimento de água destinada à lavagem do cascalho na lavra do ouro – foi realizado pelo Projeto de Inventário e Pesquisa Arqueológica de Guarulhos (Pipag), coordenado pela arqueóloga Cláudia Regina Plens e apoiado pela Fapesp por meio de um acordo de cooperação com o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat).


A imagem do município de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, ficou fortemente associada à urbanização descontrolada que se seguiu à construção, em meados da década de 1980, do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos Governador André Franco Montoro. A cidade, que é a segunda mais populosa e tem o segundo maior Produto Interno Bruto (PIB) no Estado de São Paulo, possui um patrimônio arqueológico-histórico que remonta ao primeiro século da colonização portuguesa.
Há construções belíssimas escondidas no meio da mata, a força de trabalho empregada na mineração e nas obras de infraestrutura era constituída por índios escravizados, a pesquisadora estima que os habitantes originais da área faziam parte do tronco Jê.
Um importante patrimônio remanescente dessa época é o Tanque Grande, um complexo de estruturas voltadas para a mineração, construído por mão de obra indígena escravizada por volta de 1600.
Situado no ponto de confluência de dois rios do Sistema Cantareira, o Tanque Grande represava grande volume de água, que era conduzida por gravidade ao local da lavra através de canais a céu aberto e túneis escavados na rocha que somavam cerca de nove quilômetros de extensão. Jornal da USP

Uma reportagem, com a participação de Plens, foi produzida no local pela TV Cultura e pode ser vista em:

www.youtube.com/watch?v=96ER7jF1rNI.

Cão Coragem

Cachorro nada e recolhe lixo no Rio Tietê em São Paulo. O comportamento curioso do animal foi flagrado pelo Globocop nesta quinta. Poluído, o Rio sofre com o despejo irregular e o descaso na capital paulista. Do G1 São Paulo (28/05/2015)

A reportagem acompanhou o cão por 20 minutos e, durante essa brincadeira, ele deu uma contribuição considerável para a limpeza do Tietê. O cachorro retirou do rio 25 garrafas. FCS Brasil

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Ensaio sobre a cegueira hídrica

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1. O abastecimento do precioso líquido será feito de modo a atender apenas às necessidades mais elementares, como a preparação de alimentos, tomar uma breve ducha e escovar os dentes. Para descarregar a privada, fazer a limpeza da casa e dar banho no cachorro, o jeito será contar com a água das chuvas.
2. Restaurantes serão obrigados a baixar as portas. Não haverá água para lavar tanta louça. Outros estabelecimentos podem vir a ser obrigados a restringir o uso de seus banheiros.
3. Empresas que dependem do uso intensivo de água começarão a se preparar para sair de São Paulo, já que não há previsão para o término da crise. Vão em busca de melhores condições hídricas.
4. Depois do colapso do Sistema Alto Tietê, que abastece a zona leste de São Paulo, a água potável passou a ser um bem raro e caro. Bandidos já fazem sequestros-relâmpagos de caminhões-pipa cheios, a fim de vender a carga em condomínios fechados. Uma carga de 15 mil litros de água pode facilmente ser repassada por R$ 2.500.
5. O tráfico de água campeia. Em Itu, durante o apogeu da falta d’água, em setembro de 2014, quadrilhas comercializavam a água que deveria ser distribuída gratuitamente à população. É previsível que o mesmo ocorra por aqui.
6. Todos os 50 mil poços em funcionamento na cidade de São Paulo serão “confiscados”, mesmo os localizados em terrenos privados. Só o Estado estará autorizado a explorá-los.
7. Moradores de casas humildes terão de ir trabalhar sem tomar banho e com a mesma roupa do dia anterior. Quando eles chegaram em casa, não havia água; quando saíram, a água ainda não havia voltado. E a caixa d´água nem chegou a encher por causa da redução da pressão.
8. Haverá creches que interromperão os serviços por falta de água, gerando um efeito cascata. Se as crianças não puderem ir para a creche, a mãe terá de faltar no emprego.
9. Começarão os pedidos de socorro por parte de idosos, acamados, e de gente com deficiência de mobilidade, que não conseguirão colocar uma lata enorme de água na cabeça e levá-la para casa.
10. Surgirão aqui e ali focos de desidratação, atingindo principalmente indivíduos de terceira idade e crianças até 4 anos, mais vulneráveis.
11. Já se esperam protestos. Em Itu, vizinho de São Paulo, até donas de casa colocaram fogo nas ruas. “Aqui em São Paulo, vai haver um escalonamento de manifestações e de violência porque a água mexe com a questão da dignidade. Quantos dias nós aguentamos sem poder dar descarga?”, pergunta Marussia Whately. A tropa de choque da PM dará show de truculência, como sempre. Conta D’Água

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LEI Nº 9.433, DE 8 DE JANEIRO DE 1997, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos.

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Aposentadoria da Água

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“Nós [da construção civil] somos responsáveis pela metade dos materiais consumidos na sociedade”, afirma o professor Agopyan. Agência Universitária de Notícias

Conheça o consumo de água em algumas atividades:

Para se produzir 1 litro de cerveja utiliza-se de 5 a 25 litros de água.
Para se produzir 1 kg de cimento utiliza-se 35 litros de água.
Para se produzir 1 kg de aço utiliza-se de 300 a 600 litros de água.
Para se produzir 1 litro de álcool utiliza-se 2.700 litros de água.
Para se produzir 1 litro de leite utiliza-se de 2,5 a 5 litros de água.
Para se produzir 1 kg de estreptomicina utiliza-se 4 milhões litros de água.
Para abater 1 cabeça de gado utiliza-se 500 litros de água.
Para se fabricar 1 carro utiliza-se 35.000 litros de água.
Para se produzir 1 kg de forragem utiliza-se 1.100 litros de água.
Para se produzir 1 kg de arroz utiliza-se 4.500 litros de água.
Para se produzir 1 kg de algodão utiliza-se 10.000 litros de água.
Para lavar 1 metro de sarjeta utiliza-se 25 litros de água.
Para limpar 1 m² de um mercado utiliza-se 5 litros de água.
Para suprir o consumo de 1 criança na escola utiliza-se 100 litros de água/dia.
Para suprir o consumo de 1 paciente num hospital utiliza-se 450 litros de água/dia.
Na limpeza das mãos utiliza-se 5 litros de água.
Tomar uma ducha utiliza-se de 20 a 50 litros de água.
Na lavagem, manual, de pratos utiliza-se 20 litros de água.
Na lavagem, automatizada, de pratos utiliza-se 80 litros.
Na lavagem, automatizada, de roupas utiliza-se de 50 a 120 litros de água.
Para lavar 1 carro utiliza-se 90 litros de água.
(Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Paranaíba – AMVAP)

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Por que falta água?

Nos serviços de construção civil, a água não é vista e nem tratada como material de construção e com consumo é bastante elevado, por exemplo, para a confecção de um metro cúbico de concreto, gasta-se em média de 160 a 200 litros e, na compactação de um metro cúbico de aterro, podem ser consumidos até 300 litros de água. Enciclopedia y Biblioteca Virtual de las Ciencias Sociales, Económicas y Jurídicas

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As poucas ações existentes estão relacionadas com o edifício em operação e pouco se fala no edifício em construção, embora o custo com o consumo de água no edifício em construção represente 0,7% do custo total da obra, de acordo com as pesquisas realizadas nas construtoras entrevistadas. Consumo de água nos canteiros, 24 mar. 2008.

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cada pessoa precisa de 40 litros de água diariamente para atender as suas necessidades de consumo e higiene. No entanto, nos grandes centros urbanos do país e em cidades com mais de 120 mil habitantes, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros por dia. EcoDesenvolvimento.org

O US Green Building Council informa que a construção civil consome 21% de toda a água tratada do planeta e que 13,6% é de
responsabilidade das edificações. Segundo a SABESP, a região metropolitana de São Paulo tem seu sistema de abastecimento integrado por 8 complexos e é responsável em atender 39 municípios com a produção de 67 mil litros de água por segundo. AECweb

A construção civil é uma das atividades humanas que mais causam danos ao meio ambiente no mundo. Segundo dados da ANAB (Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica) cerca de 50% dos recursos extraídos da natureza são destinados ao setor e, no caso do Brasil, ele é responsável pelo consumo de 40% dos recursos naturais e da energia produzida, 34% da água, 55% de madeira não certificada, além de responder pela produção de 67% da massa total de resíduos sólidos urbanos.

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