A chocante monotonia das prateleiras de supermercados

Indústria de alimentos vende ilusão de variedade. Mas há 7 mil plantas comestíveis na Terra, e 90% do que consumimos vêm de apenas 15 espécies. Sabores e aromas artificiais imperam. Contudo, há como reinventar a cozinha da biodiversidade”, escreve Ricardo Abramovay, professor Sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP, em artigo publicado por Outras Palavras, 15-10-2020. Instituto Humanitas Unisinos

Quando você vai ao supermercado, a quantidade de cores, formatos, marcas, desenhos, fotos e alternativas é desconcertante. À primeira vista, suas chances de escolha, para as refeições que tem pela frente, são cada vez maiores. Ricardo AbramovayOutras Palavras

Mas, na verdade, a palavra mais marcante do padrão alimentar contemporâneo é monotonia. E isso representa uma tripla ameaça: à saúde, à segurança alimentar e aos serviços ecossistêmicos dos quais todos dependemos.

Estado Mundial das Plantas e dos Fungos, relatório recém-publicado pelo britânico Kew Royal Botanic Gardens, instituição prestigiosa, dirigida pelo pesquisador brasileiro Alexandre Antonelli, ajuda a responder a esta pergunta.

O estudo mostra que as plantas comestíveis catalogadas globalmente pela ciência chegam ao impressionante número de 7.039. Destas, 417 são consideradas cultiváveis. As descobertas de novas plantas não cessam. Só em 2019, os botânicos registraram 1.942 novas plantas e 1.866 fungos que ainda não conheciam. No Brasil, duas novas espécies de mandioca selvagem foram catalogadas.

A Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde Animal e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação estão trabalhando juntas em torno da noção de One Health (algo como “a saúde é uma só”). Mas, como mostra um trabalho recente de pesquisadores da Fondation Nationale des Sciences Politiques, multiplicam-se as iniciativas que procuram compreender e elaborar políticas juntando padrões de consumo alimentar, produção agropecuária, saúde humana e meio ambiente.

Para o Brasil, esta unidade é um trunfo e um imenso desafio. O trunfo está no fato de sermos o país mais megadiverso do planeta, apesar do abalo em nossa reputação global — derivado do avanço da destruição na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado e do descaso das atuais políticas governamentais em preservar estes patrimônios universais pelos quais os brasileiros deveriam ser responsáveis.

Mais de 820 milhões de pessoas passam fome e cerca de 2 bilhões encontram-se em situação de insegurança alimentar moderada ou grave em todo mundo (FAO/ONU, 2019). Dados sobre concentração da terra na América Latina mostram que 1% das propriedades concentram mais de 50% da área agricultável (OXFAM, 2016). No Brasil, o último Censo Agropecuário evidencia o mesmo padrão de concentração, e as mulheres constituem apenas 18,7% dos produtores rurais do país. Mais de 90% da produção agrícola brasileira é feita de soja e milho, destinados em sua maioria para a China (PORTO e GRISA, 2020). A diversidade dos alimentos a que as populações têm acesso é cada vez menor. Existem mais de 14 mil espécies plantas comestíveis na terra e, no entanto, apenas três proporcionam 60% das calorias consumidas (LANCET, 2019) e 90% do que consumimos vem de apenas 15 espécies (ABRAMOVAY, 2020) A comercialização de alimentos é também altamente concentrada por grandes empresas transnacionais. Comunicação Conferência SSAN

A atenção especial às mulheres se deve à sua importância para a garantia da soberania alimentar. São elas que reconhecidamente realizam a maior parte do trabalho de proteção das sementes crioulas, o cultivo de hortas e plantas medicinais, o cuidado dos quintais produtivos e o manejo dos animais de pequeno porte. A despeito disso, as mulheres rurais e suas crianças estão entre os mais afetados pela fome. Higiene Alimentar – Vol.30 – nº 260/261 – Setembro/Outubro de 2016

É necessário produzir mais alimentos, porém, é crucial que isto aconteça sem gerar maiores impactos ao meio ambiente. Portanto, adotar medidas que garantam a sustentabilidade da produção de alimentos e a preservação dos recursos naturais é o
novo desafio para o setor, conforme conclusão do relatório da FAO. No entanto, é necessário, também, uma alteração nos sistemas alimentares, haja vista que um terço de todo alimento produzido no mundo, é perdido ou desperdiçado. Afinal, mudanças para reduzir tais perdas, além de melhorar a eficiência do sistema, diminuirá ainda a pressão sobre os recursos naturais.

No Brasil, quarto maior fornecedor de alimentos do mundo e responsável por atender 40% do aumento necessário na produção mundial de alimentos, o desperdício é uma triste
realidade. Estimativas do Programa das Nações Unidas para o meio ambiente (PNUMA), apontam que 10% da produção se perdem nas plantações, 50% na distribuição, transporte
e abastecimento e 40% da comercialização até o consumo. Antes de buscar novas técnicas e tecnologias para aumento de produtividade é imprescindível que se trate deste mal, presente em todos os elos da cadeia agroalimentar.

Supereze-se: Os maiores guardiões de sementes do Brasil, Indígenas doam alimentos, Vamos plantar água? , Grude na Tela Rural, Como aprendemos a comer plantas tóxicas sem ajuda da ciência, A primeira palavra, Quintais produtivos

Quintais produtivos

Quintais produtivos é a nova tendência da horticultura

O quintal Produtivo Agroecológico é uma tecnologia de fácil replicação e possibilidade de ampliação conforme disponibilidade de espaço e recursos (modular), utilizamos espaçamento de 30mx30m, com grande diversidade de culturas agrícolas (utilizando mudas de Acerola, Pinha, Pitanga, Caju, Goiaba, Graviola, Banana, Abacaxi e Mamão; Manivas de Aipim; milho, variedade com mais de 10 tipos de hortaliças, abóbora, pimenta em sementes e ainda mudas de essências florestais e sementes de plantas medicinais), foi fornecido adubo orgânico (esterco) e orientado a produção de compostagem, defensivos e fertilizantes naturais. Associação de Apoio ao Desenvolvimento Social Sustentável – Mandacaru

Os Quintais Produtivos fazem parte da composição da paisagem de uma pequena
propriedade baseada na produção familiar. No quintal próximo a casa a família planta e
cultiva plantas alimentícias, frutíferas, ornamentais, leguminosas e medicinais.
Para a família agricultora é no quintal que está grande parte dos alimentos para o
consumo do dia-a-dia é nesse espaço que os membros da família desempenham suas
atividades destacando a importante presença e participação da mulher como a principal
colaboradora na composição da diversidade de plantas e espécies que compõem essa
paisagem.

Outro aspecto importante é a geração de trabalho para os integrantes da família, pois é
um espaço onde todos participam desde as mulheres, crianças e idosos existe uma correlação de responsabilidade e troca de saberes de forma constante. Os idosos compartilham sua sabedoria popular, as crianças e os adultos aprendem aplicar a sabedoria popular e os conhecimentos na prática do trabalho diário. A IMPORTÂNCIA DOS QUINTAIS PRODUTIVOS NA ECONOMIA FAMILIAR – Rosangela Aparecida Pedrosa

Dessa forma pode-se afirmar que os quintais produtivos geram qualidade de vida por
meio de uma produção de alimentos saudáveis que respeitam princípios agroecológicos em sua produção. É local de reprodução do conhecimento tradicional onde é feito a seleção e multiplicação de sementes de variedades crioulas que passam por gerações.


Em suma o quintal produtivo possibilita colheitas de várias espécies durante todos os
meses do ano devido à diversidade existente. Os alimentos colhidos tem certificado de
origem, pois quem planta e colhe sabe melhor que ninguém a procedência do alimento.

Quintais Produtivos

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