Canabidiol, o CBD

O canabidiol, também conhecido por CBD, é um dos princípios ativos da Cannabis sativa, nome científico da maconha. Compõe até 40% dos extratos da planta e pode ser usado como medicamento para diversas doenças, que variam epilepsia severa a fibromialgia. É uma substância canabinoide (que age nos receptores canabinóides do cérebro).

Visto com desconfiança por ser feito a partir de uma planta ilegal e com efeitos psicoativos, o CBD conquistou espaço na mídia a partir de 2014, quando uma mãe ganhou, na justiça, o direito de importar a substância para o tratamento de sua filha que tinha a síndrome CDKL5, que causa epilepsia grave. Minuto Saudável

Na medicina, o canabidiol pode ser usado como anticonvulsivante, anti-inflamatório, ansiolítico e antitumoral, pode ser consumido em spray, em óleo ou fumado, mas não há um consenso de qual é mais efetivo. O óleo de CBD é o método mais usado para a administração do medicamento.
Apenas pessoas com laudos e receitas médicas podem comprar o medicamento, que é controlado. A ANVISA disponibiliza, em seu site, um cadastro para pessoas físicas. O cadastro exige diversos documentos e informações.
Você pode se cadastrar através do site da ANVISA, por e-mail (med.controlados@anvisa.gov.br) ou pelo correio.

A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (ABRACE) conseguiu uma liminar de uma juíza federal que autoriza a produção e fornecimento do óleo de cannabis para cerca de 400 pacientes com receita médica.

Cassiano Teixeira começou bancando a produção do óleo através de doações, mas em 2015 criou uma associação de pacientes.

Cada família paga 150 reais mensais para a associação, com exceção de 30 famílias de baixa renda. Quase 400 pacientes são atendidos e há mais de 200 em uma lista de espera. Você pode entrar no site deles clicando aqui.

O CBD é um canabinoide que, assim como o THC, se liga aos receptores de canabinoides espalhados pelo corpo humano, conhecidos como CB1 e CB2. Growroom

O Canabidiol não é psicoativo, ou seja, ele não causa o famoso “barato”, e contrapõe alguns dos efeitos do THC, interagindo diretamente com ele. Pacientes informam que com o THC usado isoladamente, como na forma de dronabinol (THC sintético), os efeitos psicoativos são muito fortes, podendo causar paranoia, tontura e outros efeitos desagradáveis.
O CBD possui um efeito sedativo. Plantas com alto teor tendem a causar mais sono e relaxamento quando consumidas.

O CBD foi estudado como um potencial neuroprotetor, sendo testado como tratamento para a epilepsia de difícil tratamento, mas ainda não há evidências suficientes de sua eficácia, parece ter propriedades anti-inflamatórias, demonstrando potencial para o tratamento de diversas doenças inflamatórias, como a artrite reumatoide, a esclerose múltipla, a doença de Crohn, diabetes tipo 1, entre muitas outras.
Diferente do THC, o CBD isolado não possui efeito analgésico. Utilizado em conjunto com o THC, contudo, ele parece potencializar os efeitos do THC no combate à dor crônica, sobretudo a dor neuropática (comum em pacientes com câncer ou AIDS, por exemplo). Ao que tudo indica, o CBD e o THC em conjunto são mais eficazes do que o THC isolado no tratamento da dor.

A cannabis não bloqueia a dor como opiáceos, por exemplo. Ela parece simplesmente aumentar a capacidade do usuário em tolerar a dor, no tratamento da dor, a planta já é aceita como um analgésico pela medicina tradicional. Em estados americanos onde o uso medicinal da cannabis foi legalizado, as vendas de analgésicos a base de opiáceos caiu consideravelmente, indicando uma preferência pela cannabis por parte de muitos pacientes.

O CBD tem efeito antipsicótico. Diversas pesquisas indicaram esse efeito, inclusive estudos realizados no Brasil, na USP de Ribeirão Preto.
Pesquisas com pacientes que automedicam com cannabis identificaram um alto número de pessoas utilizando a erva para tratar problemas psiquiátricos; com ou sem acompanhamento médico. Uma pesquisa realizada na Califórnia, em 1999, identificou 660 (26,6%) pacientes automedicando problemas psiquiátricos com cannabis. Entre eles, 274 sofriam de stress pós-traumático; 162 de depressão; 73 de ansiedade; 46 de depressão neurótica; 34 de desordem bipolar; 26 de esquizofrenia; 15 de déficit de atenção; 8 de distúrbio obsessivo-compulsivo; 5 de síndrome do pânico; 17 de outras enfermidades.
É importante, portanto, ter muito cuidado e somente se medicar com acompanhamento médico.
Em diversos estudos pré-clínicos (em laboratório ou em animais, não em humanos), o CBD demonstrou forte potencial no tratamento de diferentes tipos de câncer. Centenas de estudos demonstram efeitos antitumorais e anticancerígenos por parte do Canabidiol isolado.

Faltam investimentos em estudos, não somente com o CBD, mas com a cannabis como um todo, já que diversos de seus componentes parecem agir no organismo e até potencializar os efeitos terapêuticos uns dos outros, mais conhecimento sobre esse e outros componentes pode significar uma expansão na compreensão da biologia humana e um passo à frente no tratamento de dezenas de enfermidades, e assim avançar na luta pelo direito à vida e ao tratamento de escolha de pacientes-usuários.

Vote a favor da descriminalização do cultivo da cannabis sativa para uso pessoal terapêutico, clicando aqui