Carro elétrico e a drogar da bateria

Comprar uma bateria nova para um carro elétrico pode trazer uma desagradável surpresa, o melhor é prevenir, promovendo a longevidade do equipamento de origem, dizem os especialistas, que também sugerem a compra de elétricos com a opção do aluguel das baterias (quando possível) ou o recurso à aquisição de semi-novas. MAFALDA GANHÃO

O Automóvel Clube de Portugal (ACP) lembra que uma bateria dura, “em média”, 8 a 10 anos. Em média, neste caso, não é força de expressão, já que essa longevidade depende muito da forma como o carro for utilizado, isto é, do tipo de condução e do tipo de carregamentos a que se sujeitarem as baterias. Prevenir é verbo que os proprietários dos elétricos devem aprender a conjugar.

Privilegiar as cargas lentas é o primeiro conselho a dar a um condutor de um veículo elétrico, uma vez que os carregamentos menos potentes preservam mais a integridade das células das baterias. Mas, atenção: ao optar por carregamentos lentos, geralmente os domésticos, o automóvel nunca deve ficar ligado à tomada menos do que uma hora.

Não carregar ou descarregar as baterias totalmente é outro cuidado recomendado no artigo do ACP. Fixe o intervalo de 20% a 80% como referência: não deixar descer dos 20%, nem manter a bateria acima dos 80%. Reduz a autonomia, mas a opção prolonga a vida útil da bateria, garantem os especialistas.

Outros cuidados passam por evitar carregar o veículo de imediato se acabou de o conduzir sujeitando-o a temperaturas elevadas e estacionar sempre que possível num local fresco, mas de preferência numa garagem se por fresco estivermos a falar do típico frio do inverno. Expresso

Uma bateria pode custar o preço de um carro novo, Marco António, jornalista da revista “Turbo”, lembra que é um facto que o valor das baterias de lítio tem tendência a baixar. “Há menos de oito anos o valor era de 800 euros por quilowatt/hora, ao passo que agora ronda os 200 euros”, devendo continuar a descer, afirma.
A justificação apresentada, segundo o responsável da Nissan, foi a de que o preço das baterias depende de fatores internos e externos que a marca não pode controlar, e que afetam o preço a pagar pelos componentes.

A condução autônoma, o compartilhamento, emissão zero, motivos pelo qual sua ascensão meteórica após mais de um século de esquecimento desse tipo de automóvel, podem provocar um novo problema ambiental. Ricardo de Oliveira

O que pode fazer a diferença para mais ou para menos em termos de performance e também de alcance é a densidade em kWh e isso não está relacionado com o motor elétrico a bordo, mas com o pacote de baterias que o carro transporta, o maior custo de um carro elétrico e assim continuará por muito tempo.

Cheia de tecnologia e química, o dispositivo que armazena energia nesse tipo de automóvel já está preocupando o setor antes mesmo da prometida invasão dos veículos plugados. E aí podemos incluir também os plug-in hybrid. A pergunta agora é: o que fazer com a bateria de um carro elétrico?

Conforme os fabricantes de veículos vão elevando os investimentos na produção de baterias, um futuro mercado de reciclagem lentamente começa a ganhar forma.

A busca implacável por lítio já promete elevar em quatro vezes o consumo da principal matéria-prima das baterias e em 2025, os carros serão responsável por 90% da produção mundial. Lembre, todos os dispositivos eletrônicos modernos possuem baterias de lítio, desde os bilhões de smartphones até as calculadoras de mão. Todo esse universo de aparelhos que usam pequenas baterias desse elemento químico ficarão só com 10% de um todo.

Além disso, os preços do cobalto já subiram 80%, pois também é matéria-prima essencial na produção de baterias. A Volkswagen, por exemplo, já se adiantou em reservar um lote enorme dele para sustentar sua mega produção de baterias para a próxima década. Ainda não se fala em fim das reservas de lítio e a mais recentemente descoberta fica em Minas Gerais. A Bolívia, no entanto, tem as maiores reservas do planeta e pode enriquecer com essa com commodity no cenário internacional, sendo agora chamado de “petróleo branco”.

O banco Goldman Sachs o chamado de “nova gasolina”. Argentina e Chile, com seus desertos de sal, também possuem reservas enormes do metal e o trio de nações representam 60% das reservas mundiais conhecidas. No caso do cobalto, entre 50% e 60% das reservas mundiais estão no Congo. Ou seja, todo o mundo está de olho nesses quatro países. Em 2015, de acordo com a consultoria Roskill, US$ 2 bilhões foram consumidos nestes minerais.

O que fazer com baterias dos carros elétricos é desafio no setor

Mas, se as reservas ainda parecem longe do fim, já que nem se sabe se existem mais de lítio, por exemplo, o descarte das baterias é um motivo secundário nessas corrida do ouro elétrico. Empresas como a OnTo Technology dos EUA, começam a se preparar para um mercado de reciclagem. A companhia prevê um setor robusto em 2025. Sua aposta é produzir materiais para produção de eletrodos para novas baterias a partir de unidades expiradas ao invés de decompor cada elemento individualmente.

A Tesla, por exemplo, diz que usará baterias para abastecer de energia sua Gigafactory e pretende reciclar as células exauridas. A BYD, por sua vez, utiliza baterias em fim de vida útil para veículos em grandes acumuladores de energia estacionários, que terão funcionamento por muito mais tempo que os automóveis. Hoje, o tempo de vida das células atuais varia de 8 a 10 anos. Então, podemos esperar pelo aumento na reciclagem para além de 2025. notícias automotivas

Fonte: Folha/BBC/Galileu