Borba Gato deve cair

Por quais estátuas os sinos do nosso luto dobram, e por quais não? Thiagio AmparoGeledés

Foi sem choro que Hilter, na Alemanha, Franco, na Espanha, Hussein, no Iraque, foram arrancados dos panteões públicos. Ao ver que por aqui ainda choram a morte das figuras engessadas de Leopold II, na Bélgica, Colston, na Inglaterra, e Borba Gato, no Brasil, a ponto de compará-las a imagens religiosas destruídas em guerras entre católicos e protestantes no século 16, nos resta a dúvida àqueles que sofrem de luto.

O que nelas ainda consideram sacrossanto, senão a supremacia colonial que, em vida, utilizaram para dizimar centenas e que, em morte, enaltecemos com vergonha insincera?

África do Sul, 9 de março de 2015. No centro da praça central da Universidade da Cidade do Cabo jaz uma escultura em bronze do colonizador britânico Cecil John Rhodes. Nela, um dos principais arquitetos da segregação sul-africana se senta em uma cadeira, com as mãos no rosto, impávido e sereno.

Naquele dia, o estudante Chumani Maxwele sujaria a estátua aos gritos solitários de “Onde estão nossos heróis e ancestrais?”. Levou 1 mês de protestos com milhares de jovens no movimento #RhodesMustFall (em português, RhodesDeveCair) até que a estátua de Rhodes seria retirada, sob aplausos de uma multidão de estudantes, e choro dos que ainda sentem falta do apartheid colonial.

Aqui, argumento que não é nas sociedades europeias que devemos nos inspirar para entender o que se passa ou que ainda há de se passar no Brasil. É da fonte de sociedades desiguais e pós-coloniais como a nossa que deveríamos beber. Da fonte de uma juventude indignada com a persistência da segregação de fato na África do Sul pós-apartheid. Da fonte de manifestantes antirracistas que, diante do monumento do general confederado Robert Lee, batalharam contra supremacistas da Ku Klux Klan em Charlottesville nos EUA em 2017.

Descolonizar a nossa história passa por arrancar de seu pedestal os assassinos que chamamos de heróis, para, enfim, fazer das suas cinzas um futuro que valha a todos.

Cidades são locais de memória e nosso direito a elas passa por poder dar novos sentidos àqueles que outrora esculpimos em pedra. Não se apaga a história, escrita com a caneta dos vencedores.

Do ponto de vista epistêmico, é um debate diferente da liberdade, na minha visão quase total, da veiculação ou não de filmes ou livros. No caso de estátuas, questiona-se quem merece um pedestal público.

Escolha não está entre depredar monumentos ou deixá-los intocáveis. Podemos, ao invés disso, ter a maturidade de escolher não elogiar genocidas em nosso espaço público e botar monumentos ao chão. Civilidade essa que é, aliás, infinitamente superior à das figuras neles representadas. Seja para pô-los em museus, para colocá-los em cemitérios de esculturas, para resignificá-los, quando o valor artístico permite, seja para destruí-los, quando este valor for pífio.

No livro “Written in Stone: Public Monuments in Changing Societies”’, republicado em 2018, Levinson detalha comissões estabelecidas na cidade de NY em 2018 e na universidade de Yale em 2016 que fizeram, mesmo com resultados modestos, justamente isso: detalharam quais princípios devem servir de base para analisar, caso a caso, a representação da história no espaço público. Por exemplo, nas redondezas de um Monumento às Bandeiras, dado o seu valor artístico, pode-se incorporar um monumento em memória ao genocídio indígena, preservando assim a obra, mas resignificando-a.

Tal como Lee, Colston e Leopold II, Borba Gato deve cair. Defender que se trata de revisionismo histórico ignora que é a própria heroicização dos bandeirantes, e não as matanças que cometiam, que configura revisionismo. Era extermínio antes, e o é hoje.

Borba Gato é em si produto do revisionismo da imagem de bandeirantes, revisionismo esse que mal tem um século. Em “Brasil: Uma Biografia”, historiadoras Schwarcz e Starling apontam que a imagem de bandeirantes como “destemidos exploradores” somente viria a ser reciclada no começo do século 20.

Se é a imagem revisionista de herói que se quer preservar em Borba Gato, pergunto: o que perderemos se a enterrarmos junto com a feiura da obra, senão o mito fundador da pujança sudestina construída sobre os ossos de indígenas dizimados, estes sim relegados ao esquecimento?

Desconheço da tolerância liberal que, iliberalmente, torna assassinos em santos e usa do poder do estado para vigiar 24h a versão oficial da história.

Choro, ao invés, pelos monumentos que não erguemos. Não erguemos monumentos para os milhares de corpos escravizados encontrados no centro do Rio de Janeiro em 2018 durante obras de transporte público. Sob o cemitério de pretos novos se construiu uma linha de trem. Não erguemos monumentos para os Yanomani massacrados ontem em 1993 e hoje em 2020 pelo garimpo ilegal. Não erguemos os monumentos para quem a história relegou a condição de perdedores. É por estes e estas que o sino do meu luto dobra.

Caize-se: Borba Gato, em chamas., Levante indígena, gente branca, 365 NUS, The Rarámuri or Tarahumara, Felipe Guamán Poma de Ayala, Brincadeira meio idiota., Makota Valdina, TODOS PRECISAMOS DA UTOPIA, Conselhos para escrever bem!, Observar e Absorver

A Morte Não É Nada

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ele não aparece ainda o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a ele, assim como Ele é puro “. – 1 João III.2, 3 Partida e Chegada
Achei que todos nós pairam relação entre duas formas de morte, Que Parecem estar em contradição sem esperança uns com os outros. Primeiro, há o recolhimento familiar e instintivo dele como a encarnação suprema e de catástrofe irrevogável …
Mas, então, há um outro aspecto totalmente que a morte pode usar para nós. É o que vem em primeiro lugar para nós, talvez, como nós olhamos para baixo em cima o rosto calmo, tão frio e branco, de alguém que foi muito próximo e querida para nós. Lá está ele na posse de seu próprio segredo. Ele sabe que todos. Parecem saber que sentimos. E o que o cara diz que em seu silêncio doce para nós como uma última mensagem de alguém a quem amamos é:

A morte não é nada – Santo AgostinhoEloiza Domingues

Death Is Nothing At All – Family Friend Poems

Death is nothing at all.
It does not count.
I have only slipped away into the next room.
Nothing has happened.

Everything remains exactly as it was.
I am I, and you are you,
and the old life that we lived so fondly together is untouched, unchanged.
Whatever we were to each other, that we are still.

Call me by the old familiar name.
Speak of me in the easy way which you always used.
Put no difference into your tone.
Wear no forced air of solemnity or sorrow.

Laugh as we always laughed at the little jokes that we enjoyed together.
Play, smile, think of me, pray for me.
Let my name be ever the household word that it always was.
Let it be spoken without an effort, without the ghost of a shadow upon it.

Life means all that it ever meant.
It is the same as it ever was.
There is absolute and unbroken continuity.
What is this death but a negligible accident?

Why should I be out of mind because I am out of sight?
I am but waiting for you, for an interval,
somewhere very near,
just round the corner.

All is well.
Nothing is hurt; nothing is lost.
One brief moment and all will be as it was before.
How we shall laugh at the trouble of parting when we meet again!

Aurélio Agostinho – Henry Scott Holland (1847-1918)

Nota: Tradução do sermão da missa de morte do rei Eduardo VII. Aurélio AgostinhoPensador

Sermão pregado na Catedral de St Paul’s, em Londres, no domingo 15 de maio de 1910, a passagem acima é de autoria controversa.

No Brasil, é comumente conhecida como “Oração de Santo Agostinho“, há versões semelhantes atribuídas ao pároco da Catedral de St. Paul e professor de Teologia da Univerdade de Oxford, na Inglaterra, Henry Scott Holland,   ao padre Giacomo Perico (Ranica, 1911 – Milão, 2000), e  à escritora de língua inglesa Rosamunde Pilcher, em trecho do livro “Setembro” (Bertrand Brasil, 16a. edição, Tradução de Angela do Nascimento Machado, pág. 450). Partida e Chegada

Observe mais: YES OU SISTEMA DE MELHORAMENTO DA JUVENTUDELUMINESCE™RESERVE™NAARA BEAUTY DRINK!!!JEUNESSE, VERDADE OU MENTIRA?INSTANTLY AGELESS ™VIDACELL®ADRIANE GALISTEUA RAINHA DE MAIOEMOCIONARIOSETEMBRO VERMELHO