Contrapropaganda sobre a Cannabis

A campanha contra a maconha começou lá pelos anos 1930, nos Estados Unidos. Por aquela época, a lei seca, que proibia a venda de bebidas alcoólicas no país, estimulava o consumo da erva. Até que governantes e empresários, ligados a princípios morais e comerciais declararam guerra à Cannabis. Acabar com o cânhamo significava eliminar um adversário na disputa pela indústria do papel e plástico. A pressão levou o país a proibir, em 1937, o uso e venda de Cannabis nos Estados Unidos. Cannabis & Saúde

A proibição só começou a perder espaço primeiro na Califórnia, onde o uso medicinal de Cannabis se tornou legal em 1996, e atualmente, a maioria dos estados já regulamentou o uso terapêutico da planta.

Os primeiros registros sobre o uso da maconha com fins medicinais são atribuídos ao imperador ShenNeng da China por volta de 2737 AC, que prescrevia chá de maconha para o tratamento da gota, reumatismo, malária e, por incrível que pareça, memória fraca. AMA+ME – Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal

A popularidade da maconha como remédio se espalhou pela Ásia, Oriente Médio e costa oriental da África. Seitas hindus, na Índia, usavam maconha para fins religiosos e alívio do estresse. Médicos da antiguidade prescreviam maconha para tudo, desde o alívio para dor de ouvido, até para as dores do parto. Estes médicos também advertiam que o uso excessivo da maconha poderia provocar impotência, cegueira e alucinações (“ver demônios”).

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A maconha foi trazida ao Brasil por escravos africanos, ainda durante o período colonial. Disseminou-se entre os índios, e mais tarde entre brancos, tendo sua produção estimulada pela coroa. Até a rainha Carlota Joaquina habituou-se a tomar chá de maconha, depois que a corte portuguesa se mudou para o Brasil.

O médico Pedânio Dioscórides, greco-romano, considerado o fundador da farmacologia, publicou sua obra “De Materia Medica”, a principal fonte de informação sobre drogas medicinais, desde o início do século I até o século XVIII. Dentre as mais de mil substâncias vegetais descritas e distribuídas em grupos terapêuticos, a maconha medicinal era indicada como tratamento eficaz para dores articulares e inflamações.

O artigo do PhD. EA Birch na revista The Lancet de 1889, uma das principais revistas médicas do mundo, delineou a aplicação da Cannabis Sativa L. para o tratamento de dependência ao ópio. A erva reduziu o desejo do ópio e agiu como um antiemético. Nos anos seguintes a maconha consolidou-se como medicamento nos EUA e na Europa.

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No reclame dos anos 50, com produção que lembra o Além da Imaginação (uma série do fim daquela mesma época), o jovem Marty é convencido pelos amigos a experimentar maconha, fica tão chapado que resolve abrir uma garrafa de refrigerante simplesmente quebrando a embalagem, começa a sangrar, porque engoliu pedaços de vidro, mas nem percebe, porque estava muito louco. Depois de quase morrer, ele começa a usar heroína. A mensagem da campanha é que a maconha é a porta de entrada para drogas mais pesadas e a morte.

Consumida como hábito popular por árabes, chineses, mexicanos e afrodescendentes, minorias que eram socialmente discriminadas na época, a maconha passou a ser vista preconceituosamente por uma elite moralista, muitas vezes estimulada pela indústria concorrente do cânhamo (raça da espécie Cannabis Sativa L. que produz poucos canabinoides e alto teor de fibras). A fibra do cânhamo, natural e muito resistente, é forte concorrente para indústria do petróleo, algodão e das fibras sintéticas.

O cânhamo no início do século XX foi o material utilizado para confecção do tecido da maioria das telas dos utilizadas pelos grandes artistas. Na expansão do imperialismo, os europeu navegaram com velas e cordas produzidas a partir de fibras de cânhamo, por outro lado, o “prazer” proporcionado pelo uso recreativo e ritualístico da maconha, além de ser concorrente da poderosa indústria do álcool, sofreu preconceito religioso, moralista e social.

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A propaganda das cigarrilhas Grimault, em 1905, anunciava que a maconha medicinal serviria para tratar desde “asmas e catarros” até “roncadura e flatos”.

A tese de 1924 no qual o consumo da maconha era um mal foi fortalecida por Pernambuco Filho, um médico brasileiro que nunca havia defendido essa afirmação anteriormente, em conferência promovida pela “Liga das Nações” em Genebra, associando o uso maconha ao danoso uso do ópio, um dos maiores problemas de saúde pública da época, mas sua fala foi muito importante no proibicionismo mundial nos anos seguintes, segundo Prof. Dr. Elisaldo Carlini (UNIFESP).

Professor Carlini com Juliana Paolinelli e Katiele Fisher, associadas da AMA+ME, no Fórum: Visões interdisciplinares da maconha, (http://www.unicamp.br/unicamp/eventos/2015/06/02/visoes-interdisciplinares-da-maconha) ocorrido em junho de 2015.

Crazy orgies, conversations with Satan, permanent insanity, and murder: These were the calamities that could befall marijuana users of the early 20th century — according to anti-marijuana propaganda, the product of belligerent Federal Bureau of Narcotics Commissioner Harry J. Anslinger’s 1930 one-man “call to arms” campaign against the drug. All That’s Interesting

Marijuana Crime Film

But it wasn’t long before he was a man without a cause. In 1933, just three years after Anslinger’s appointment, Prohibition was repealed — and the purview of the Federal Bureau of Narcotics began to shrink.

With alcohol off the table, the department’s business was limited to narcotics like cocaine and heroin — drugs used by a very small percentage of the population. Chasing them down wasn’t going to result in fame or glory any time soon.

His anti-marijuana propaganda had strong racial undertones. He persecuted jazz musicians, saying that weed was leading them to make the devil’s music. Under his influence, the term “cannabis” was replaced with the Spanish word “marijuana” — a shift he used to link the drug and its usage to Latinos.

The anti-marijuana fervor only escalated throughout the latter half of the 20th century, and since Richard Nixon formally declared a war on drugs in 1971, the US government has spent around $1 trillion fighting — however nominally — the illegal drug trade.

Em convenção de 1961, a ONU determinou que as drogas são ruins para a saúde e o bem-estar da humanidade e, portanto, eram necessárias ações coordenadas e universais para reprimir seu uso. Com isso o uso medicinal da maconha foi fortemente suprimido, deixando pacientes e cientistas longe da maconha. Essa proibição contribuiu para o enriquecimento da indústria bélica interessada na manutenção de conflitos armados e deu início à guerra contra as drogas.

A American Medical Association (AMA), uma centenária associação de médicos americanos, em um desenho psicodélico nos anos 60, coloca o uso de Cannabis como normal ou cool, mas, numa narração cafona, apresenta os “fatos”: bagunça o pensamento, causa dependência psicológica “e” abre caminho para outras drogas.

Em 2009, a AMA, enfim, reconheceu os benefícios terapêuticos da Cannabis e requisitou ao governo americano que retirasse a Cannabis da lista de substâncias controladas do tipo 1. “Com o objetivo de facilitar a condução de pesquisas clínicas e desenvolvimento da medicina canabinoide.”

Nos anos 90, é mais elaborado e tem um público-alvo bem definido: os pais. Eles encontram um grupo de mães, o florista, o açougueiro, todo mundo dá bom dia, oferece um café e … um baseado. A idéia, aparentemente, é incentivar a conversa com os filhos, porque eles enfrentam esse perigo em qualquer esquina.

O praticante de artes marciais pronto para quebrar uma tábua, cria até um bom suspense, depois de exercícios de respiração e muita pose, ele erra o golpe e a tábua bate em sua cabeça. A mensagem é que a maconha te deixa lento. Mas não é só isso. O filme termina dizendo que os efeitos da Cannabis fumada podem durar até um mês.

O sistema endocanabinoide começa a ser elucidado pela ciência. Após a descoberta dos canabinoides internos, produzidos pelo próprio corpo humano, anandamida (N-araquidoniletanolamida) e 2-araquidonilglicerol (2-AG), dos receptores de canabinoides CB1 e CB2, e das enzimas relacionadas ao metabolismo dos mesmos, um sistema especializado se consolida. A comunidade científica focou na investigação do seu potencial clínico, com resultados encorajadores em muitas áreas. Os receptores canabinoides são identificados em várias células e sistemas, além do sistema nervoso central, e a ciência avança na área da imunologia e oncologia.

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O lançamento do livro Maconha em 2007, Cérebro e Saúde, dos neurocientistas Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro. O livro se somou aos contínuos esforços de grupos brasileiros, sobretudo os ligados ao CEBRIDE, no sentido de divulgar para o público o entendimento do sistema endo canabinoide e seu potencial medicinal. O livro foi de grande impacto tanto no meio acadêmico quanto junto ao publico em geral, tendo sua primeira edição completamente esgotada, e servindo como um dos pilares para o desenvolvimento do roteiro do documentário Cortina de Fumaça, de Rodrigo Mac Niven.

A Marcha da Maconha, com a liberação pelo Superior Tribunal Federal foi um movimento vanguardista de excepcional impacto na discussão sobre as politicas que regem o uso da maconha no Brasil. O tema do uso medicinal sempre esteve presente neste movimento, que o levou às telas do programa Fantástico em 2011, onde pela primeira vez, uma enquete televisionada recebeu a maioria dos votos favorável à regulamentação da maconha no Brasil.

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A garotinha americana com 5 anos de idade, portadora de síndrome de Dravet, Charlotte Figi, (que determina epilepsia refratária), tem sua historia de sucesso no controle de crises convulsivas, com o uso de um óleo rico em CBD, produzido a partir de uma cepa de Cannabis Sativa L., que acabou recebendo seu nome, amplamente divulgada pela imprensa americana. O poder da internet espalha mundialmente o sucesso de Charlotte.

Anny Fisher, garotinha brasileira com 5 anos de idade, portadora da síndrome CDKL5 (que também determina um quadro de epilepsia refratária), tem sua historia de sucesso no controle de crises convulsivas, com o uso de um óleo rico em CBD, apresentada no programa Fantástico, a primeira paciente a conseguir na justiça o direito a importação do óleo. Juliana Paolinelli, portadora de dor neuropática; Gilberto Castro, portador de esclerose múltipla; Thais Carvalho, portadora de câncer de ovário, contribuem para conscientização do poder medicinal da maconha para a nossa sociedade.

O primeiro Congresso Internacional de Drogas, Lei, Saúde e Sociedade, organizado em 2013 por uma grande parceria entre a UnB, Conselho Federal de Psicologia, Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos, Associação Brasileira de Estudos de Psicoativos, Rede Pense Livre e a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, reuniu mais de 40 oradores vindos da Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, Portugal e Uruguai, além de profissionais de diversas áreas, ativistas, usuários e pacientes, tiveram pela primeira vez, voz e lugar de destaque num evento deste porte.

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O congresso ocorreu no Museu Nacional da República, e foi considerado o maior congresso sobre inovação de política de drogas já realizado na América Latina, teve enorme impacto político, aproximando todos os seguimentos envolvidos entre si e destes com os agentes políticos, abrindo espaços importantes de discussão junto ao Congresso Nacional, SENAD e Ministério da Saúde, o evento também contribui para a consolidação de uma rede interdisciplinar, que culminou com a criação da Plataforma Brasileira de Políticas Sobre Drogas, fundada formalmente em 2014.

A sociedade brasileira organiza-se em grupos de pacientes, que buscam seu alívio no tratamento com maconha medicinal. Pacientes portadores de doenças graves, muitas vezes incapacitantes, após superarem o preconceito em relação à maconha, descobrem a luz no fim do túnel. Portadores de esclerose múltipla, dores neuropáticas, transtornos psiquiátricos, doenças neurodegenerativas e sindrômicas (Parkinson, Alzheimer e Tourette), estagio avançado de doenças inflamatórias e autoimunes (Lupus, Chron, Artrites) e alguns tipos de câncer, são só alguns exemplos de pacientes que tem sua qualidade de vida muito favorecida com o uso da maconha medicinal.

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O custo humano potencial, de ignorar a evidência por tanto tempo, é difícil de prever. Dos 3 milhões de pessoas nos Estados Unidos com epilepsia, um número estimado de 500 mil não são ajudados por medicamentos atuais, de acordo com The American Epilepsy Society. Cerca de 50.000 morrem a cada ano por causa das convulsões, dados de 2015.

Fakemp-se: A maconha como porta de entrada, Milton Friedman, Gustavo Guedes, A VERDADE por trás da proibição da MACONHA, História da Maconha, Medical Hemp, Piauí autoriza produção de óleo de canabidiol, Fibra de “maconha” na produção têxtil, Hemp Car, Plantas Alimentícias Não Convencionais, alternativaS?!?, A história do jardineiro de Oxalá