Grafite na rua

Presto VinteTreis (Walyson Nogueira) e o amigo Babu SeteOito, pintaram quatro faixas de pedestres em terceira dimensão (3D) nas principais avenidas de Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá, na semana passada. O objetivo é reduzir o número de acidentes causados por excesso de velocidade. G1

A iniciativa já foi adotada em vários países com o objetivo de reduzir atropelamentos, como China, Índia, Geórgia e Islândia. A ideia é usar a ilusão de ótica como um fator a mais para fazer o motorista reduzir a velocidade e permitir a passagem dos transeuntes.
A uma distância de até 20 metros, lembram elementos de concreto encravados no asfalto. Na Islândia, é onde há os resultados mais positivos. Os atropelamentos caíram 25% nas ruas em que as faixas 3D foram pintadas. No Brasil, existe a expectativa de alcançar percentuais próximos disso. Massa Cinzenta
A cidade brasileira mais populosa a adotar as faixas de pedestres em 3D é Santo André, no ABC Paulista, com mais de 500 mil habitantes. Dois projetos-pilotos foram instalados no município, no final de 2017. O trabalho foi executado por funcionários do Departamento de Engenharia de Tráfego (DET) de Santo André, treinados para esse tipo de pintura.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 22% das mortes no trânsito no mundo são causadas por pedestres atropelados. O Brasil aparece em 5º lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido por Índia, China, EUA e Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito.

Grafite-se: Relatos Salvajes, Velozes e Incompetentes, 22 de todos os dias, Multa Moral, No lugar da multa, um sorriso!, Grafite são artes públicas, Arte Fora do Museu

Pinto por cima

Pinto por cima – Orquestra Royal

(Vitor Velloso, Gustavo Maguá e Marcelo Guerra)
Você pode pintar primeiro
Não deixo mole e pinto atrás
Eu quero ver se eu pinto inteiro
Um muro de Moema até o Brás
Pra cidade ficar mais top
Na 23 e na Faria Lima
De fantasia pra dar mais ibope
Poso pra foto e pinto por cima!
Pinto na ponte
Pinto no muro
Pinto de branco
Ou pinto mais escuro
Pinto de fora
E pinto dentro
Pinto na Mooca e depois pinto no centro
Eu te faço um convite
Esqueça essa bobagem de grafite
Esse muro fica muito mais bonito
Com um quadro do Romero Britto

O artista plástico Romero Brito presenteou o prefeito de São Paulo com um quadro.  

João Doria VS Arte – maspoxavida

50 tons de Dória Grey: gostos estranhos. 

 Lugares mais legais para se pixar em São Paulo do que a minha cara – Vídeos do Jesse Navarro

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Grafite são artes públicas

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“Se o que a obra de arte faz […] é desocultar a verdade de um ente, revelando o seu ser e abrindo um mundo que inquieta o observador, levando-o ao conhecimento e produzindo história, então as pixações são obra de arte. São indiscutíveis a inquietação e as discussões que provocaram”, em artigo publicado em junho de 2016, o professor da UFRJ, Luiz Felipe da Cunha. Rebeca Letieri – Jornal do Brasil

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Quarenta e cinco anos depois do prefeito de Nova York declarar guerra contra o grafite em 1972, o tema ainda causa polêmica. Naquela época, o prefeito John Lindsay começou uma enorme gastança tentando apagar os trens e capturar os artistas. Até 1989, Nova York tinha gastado mais de US$ 300 milhões nessa ‘guerra’, numa época em que os trens mal funcionavam. TIAGO FERREIRAVIX

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“O grafite foi reconhecido no Brasil pelo que os artistas fazem nas ruas. Chegou um momento em que a qualidade era tamanha, que as pessoas passaram a perceber a importância desse trabalho para a cidade e para as ruas”. Kobra – TIAGO FERREIRAVIX

O artista é frequentemente citado pelo prefeito como um de seus grafiteiro favoritos, João Doria chegou a anunciá-lo como coordenador do programa Arte Urbana, que faria oficinas de grafite, mas Kobra o desmentiu.

“Comecei na pichação, minha origem é na periferia. Tenho vários amigos pichadores. Jamais vou me envolver com algo que seja contrário a qualquer manifestação de arte na rua. Não tenho nada a ver com isso, se não estaria indo completamente contra as minhas origens”. HuffPost Brasil.

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O mural “Todos somos um”, realizado pelo brasileiro Eduardo Kobra para a Rio 2016, foi reconhecido como o maior grafite do mundo pelo “Guiness world records”, a pintura é inspirada nos aros olímpicos e representa a paz e a união entre os povos.  Kobra

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Use essa ferramenta poderosa chamada internet de forma inteligente, use pra buscar conhecimento, estudar sobre a história do graffiti e não apenas pra se auto afirmar postando milhões de fotos semanalmente. Graffiti foi, é e sempre será na rua. Gueto – Família Santos FC. SubsoloArt

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“Grafitar é fazer onde quiser, quando quiser, com a cor que quiser. A partir do momento que tem qualquer conotação comercial, o grafite perde a essência”. Gueto – TIAGO FERREIRAVIX

“In a country where stealing is an art, pixo is crime.” Djan I. CRIPTA DJAN

Cripta Djan é considerado por seus pares um expoente do picho brasileiro, e participou da ação, tida como uma das mais ousadas e cuja escalada é até hoje considerada um recorde de altura entre pichadores. GIL ALESSI – El País

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“Uma pintura bem executada, feita em condições adversas e restrições de tempo é muito mais impressionante do que uma obra realizada sem risco”, Eric Felisbret, autor do livro “Graffiti New York”, “o debate sobre se grafite é arte ou crime é inútil porque, idealmente, é as duas coisas”. TIAGO FERREIRAVIX

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“O picho trabalha com a questão da transgressão, do reconhecimento, da radicalidade, de você afrontar a polícia diretamente. Existe esse enfrentamento, e não é só com a polícia, é com a sociedade também. Isso para um jovem da periferia é muito motivador”, o picho foi a ferramenta encontrada para canalizar toda a energia e as frustrações que acompanham “o jovem morador da periferia“. GIL ALESSI – El País

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O Dia Nacional do Grafite é 27 de março e foi instituído após a morte de Alex Vallauri (1949-1987), que ocorreu nesse dia, no ano de 1987, que é considerado um dos precursores do grafite no Brasil. Etíope, chegou a São Paulo em 1965. Estudou gravura e formou-se em Comunicação Visual pela FAAP. Em 1978, passou a fazer grafites em espaços públicos da cidade. Valéria Peixoto de Alencar – UOL EDUCAÇÃO

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“[Pichadores] são agressores, são destruidores. Não vamos fraquejar contra os pichadores. Ou mudam de profissão ou mudam de cidade”, afirmou o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB). Especialistas e pichadores ouvidos pelo EL PAÍS afirmaram que a estratégia de confrontação adotada pela gestão tucana pode ser um tiro no pé, e incentivar mais jovens a pichar. GIL ALESSI – El País

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A ação faz parte do programa Cidade Linda, que prevê reparo em calçadas e pintura de muros em vários bairros da capital. Depois de apagar parte do mural de grafites da avenida 23 de Maio, um dos mais tradicionais de São Paulo, Doria mostrou satisfação: “Pintei com enorme prazer três vezes mais a área que estava prevista para pintar, exatamente para dar a demonstração de apoio à cidade e repúdio aos pichadores”. GIL ALESSI – El País

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Talvez a obra de arte mais censurada da história seja L’Origine du Monde (“A origem do mundo”), pintada em 1866 pelo realista Gustave Courbet, a pedido do diplomata turco otomano Khalil-Bey, colecionador de imagens eróticas. A obra foi exposta publicamente pela primeira vez em 1995 no Musée d’Orsay, Paris onde ainda se encontra. Luiz Felipe da Cunha e Silva – vitruvius

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Para antropólogo e professor da Unifesp Pereira, além da desigualdade social, espacial e da desorganização da cidade, uma parcela da população é levada para a pichação porque ela oferece “visibilidade e projeção social para o jovem periférico, que resolve circular e ocupar o centro da cidade”. “É preciso fomentar práticas e políticas públicas para que este jovem se expresse de outras maneiras que não o picho, e isso não tem sido feito”, diz o professor. GIL ALESSI – El País

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Alejandro Restrepo em chumbo negro

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La Cantante
Lápiz sobre papel
21,5cm por 15cm

Os desenhos com grafite altamente densos e detalhados de Alejandro Restrepo. Mariana Gonçalves – Zupi

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Alejandro García Restrepo – Licenciado en educación en artes plásticas de la Universidad de Antioquia, Medellín, Colombia.

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Estupidez sem monopólio

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Arte Fora do Museu

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Nós da iniciativa Arte Fora do Museu apresentamos este abaixo-assinado em apoio ao projeto de lei nº 840/2013, de autoria do vereador Nabil Bonduki, que garante perante a lei a legitimidade do trabalho artístico que vem sendo desenvolvido nas ruas da cidade.

Já existe uma lei federal que poderia ser levada em conta, mas não é sequer lembrada:

Art. 65 da Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998

Não constitui crime a prática de grafite realizada com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado e, no caso de bem público, com a autorização do órgão competente e a observância das posturas municipais e das normas editadas pelos órgãos governamentais responsáveis pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico nacional. (Incluído pela Lei nº 12.408, de 2011)

A lei é bem clara quando diz que não é crime quando o grafite realizado tem o objetivo de valorizar o patrimônio público. Exemplos desta forma de arte modificando para melhor a paisagem de São Paulo não faltam. Alguns viraram inclusive pontos turísticos, como o Buraco da Paulista e imenso painel da entrada da Avenida 23 de Maio. Este painel é tema do documentário Cidade Cinza, que retrata como obras de artistas renomados inclusive no exterior, como osgemeos e Nunca, são apagados sem critério por fiscais da prefeitura.

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