É Ladrão Que Não Acaba Mais

É Ladrão Que Não Acaba Mais – Bezerra da Silva. Vagalume

Quando Cabral aqui chegou
E semeou sua semente
Naturalmente começou
A lapidação do ambiente
Roubaram o ouro, roubaram o pau
Pra ficar legal, ainda tiraram o couro
Do povo dessa terra original
E só deixaram a má semente
Presente de Grego
Que logo se proliferou
E originou a nossa gente

[Refrão]
É ladrão que não acaba mais
Tem ladrão que não acaba mais
Você vê ladrão quando olha pra frente
Você vê ladrão quando olha pra trás

E, a terra boa, mais o povo continua escravizado
Os direitos são os mesmos
Desde os séculos passados
O marajá, ele só anda engravatado
Não trabalha, não faz nada
Mas ta sempre endinheirado
Se entrar no supermercado…Você é roubado
E se andar despreocupado…Você é roubado
E se pegar no ponto errado…Você é roubado
E também se votar pra deputado…Você é roubado
Certo! Tem sempre 171 armando fria
Tem ladrão lá no congresso, na fila da padaria
Ladrão que rouba de noite, ladrão que rouba de dia
Dentro da delegacia, ninguém entendia a maior confusão
O doutor delegado grampeou todo mundo
Porque o ladrão roubou outro ladrão

[Refrão]
É ladrão que não acaba mais
Tem ladrão que não acaba mais
Você vê ladrão quando olha pra frente
Você vê ladrão quando olha pra trás

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Brasil de bandidos

O juiz Ronaldo Tovani, 31 anos, substituto da comarca de Varginha, ex-promotor de justiça, concedeu liberdade provisória a um sujeito preso em flagrante por ter furtado duas galinhas e ter perguntado ao delegado: ‘desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?’ O magistrado lavrou então sua sentença em versos:

*No dia cinco de outubro*
*Do ano ainda fluente*
*Em Carmo da Cachoeira*
*Terra de boa gente*
*Ocorreu um fato inédito*
*Que me deixou descontente.*

*O jovem Alceu da Costa*
*Conhecido por ‘Rolinha’*
*Aproveitando a madrugada*
*Resolveu sair da linha*
*Subtraindo de outrem*
*Duas saborosas galinhas.*

*Apanhando um saco plástico*
*Que ali mesmo encontrou*
*O agente muito esperto*
*Escondeu o que furtou*
*Deixando o local do crime*
*Da maneira como entrou.*

*O senhor Gabriel Osório*
*Homem de muito tato*
*Notando que havia sido*
*A vítima do grave ato*
*Procurou a autoridade*
*Para relatar-lhe o fato.*

*Ante a notícia do crime*
*A polícia diligente*
*Tomou as dores de Osório*
*E formou seu contingente*
*Um cabo e dois soldados*
*E quem sabe até um tenente.*

*Assim é que o aparato*
*Da Polícia Militar*
*Atendendo a ordem expressa*
*Do Delegado titular*
*Não pensou em outra coisa*
*Senão em capturar.*

*E depois de algum trabalho*
*O larápio foi encontrado*
*Num bar foi capturado*
*Não esboçou reação*
*Sendo conduzido então*
*À frente do Delegado.*
*Perguntado pelo furto*
*Que havia cometido*
*Respondeu Alceu da Costa*
*Bastante extrovertido*
*Desde quando furto é crime*
*Neste Brasil de bandidos?*

*Ante tão forte argumento*
*Calou-se o delegado*
*Mas por dever do seu cargo*
*O flagrante foi lavrado*
*Recolhendo à cadeia*
*Aquele pobre coitado.**
*
*E hoje passado um mês*
*De ocorrida a prisão*
*Chega-me às mãos o inquérito*
*Que me parte o coração*
*Solto ou deixo preso*
*Esse mísero ladrão?*

*Soltá-lo é decisão*
*Que a nossa lei refuta*
*Pois todos sabem que a lei*
*É prá pobre, preto e puta…*
*Por isso peço a Deus*
*Que norteie minha conduta.*

*É muito justa a lição*
*Do pai destas Alterosas.*
*Não deve ficar na prisão*
*Quem furtou duas penosas,*
*Se lá também não estão presos*
*Pessoas bem mais charmosas.*

*Afinal não é tão grave*
*Aquilo que Alceu fez*
*Pois nunca foi do governo*
*Nem seqüestrou o Martinez*
*E muito menos do gás*
*Participou alguma vez.*

*Desta forma é que concedo*
*A esse homem da simplória*
*Com base no CPP*
*Liberdade provisória*
*Para que volte para casa*
*E passe a viver na glória.*

*Se virar homem honesto*
*E sair dessa sua trilha*
*Permaneça em Cachoeira*
*Ao lado de sua família*
*Devendo, se ao contrário,*
*Mudar-se para Brasília.*

Um juiz arretado!

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