Análise do Discurso de Ódio

João Cezar de Castro Rocha, professor da UERJ, é um intelectual militante por uma causa pública: o desvendamento da emergência do neofascismo no Brasil. Publicou, em 2021, o livro Guerra Cultural e Retórica do Ódio: Crônicas de Um Brasil Pós-Político. Blog Cidadania & CulturaFernando Nogueira da Costa.

“O mandato presidencial não autoriza a destruição metódica das instituições associadas à Educação, à Ciência, aos Direitos Humanos, à proteção do Meio Ambiente, à Pesquisa e à Cidadania”, denuncia Rocha (2021). Ele busca convencer o leitor da grave ameaça representada pelo bolsonarismo à democracia em seu sentido mais primário, isto é, o direito à diferença.

O paradoxo da guerra cultural imposta é, um comportamento de manada, sem conseguir manter as massas digitais em mobilização permanente, também, não é possível cuidar da administração pública de uma realidade complexa como a brasileira. O atual presidente da República demonstrou não compreender a dimensão de seus encargos.

Pretende obter votos por meio da conquista de “corações e mentes” dos submissos à cultura conservadora. Paradoxalmente, copia o pressuposto modelo hegemônico esquerdista do “gramscianismo cultural”, mas demoniza Paulo Freire por seu método de ensino ser revelador da realidade.

A guerra cultural bolsonarista se utiliza da técnica discursiva conhecida como a retórica do ódio, ensinada pela vulgaridade grosseira (imaginada popular) de Olavo de Carvalho.

Esta é a tese defendida por Rocha (2021): “a guerra cultural é a origem e a forma do bolsonarismo, mas, por isso mesmo, é a razão do fracasso rotundo do atual governo”.

O Gabinete do Ódio domina técnicas de manipulação digital com ênfase para o disparo massivo de mensagens por meio de aplicativos e através do recurso aos robôs. O teleguiado evangelismo neopentecostal brasileiro, assim como a onda reacionária bolsonarista, encontrou estímulo no modelo oferecido pela vitória eleitoral de Trump.

Na realidade, vivenciamos aqui um “contexto intrinsecamente associado ao resgate ressentido e revanchista da ditadura militar; resgate decisivo na formação da mentalidade da família Bolsonaro”. Parido durante a Guerra Fria, doutrinado em Escola Militar, durante a ditadura, o oportunismo político bolsonarista resgatou essa visão de mundo reacionária, militarista e armamentista, já pensada como falecida junto com o anacrônico anticomunismo, como um meio para o enriquecimento pessoal e familiar.

A negação da realidade factual e o desprezo pela Ciência, e oscila de acordo com o ruído das redes sociais e não apresenta um plano concreto e abrangente para lidar com os desafios da retomada do desenvolvimento.

infantilização define o comportamento voluntarista das massas digitais através da distopia política de ação direta das redes sociais. Assustadas por uma máquina incessante de notícias falsas (“fatos com versões alternativas”), as massas digitais sacrificam continuamente bodes expiatórios, inclusive ex-aliados oportunistas.

O sistema de crenças louva o Velho Testamento, ataca o comunismo, denuncia a doutrinação nas escolas, alveja o feminismo, anuncia o caos pela legalização da maconha medicinal, critica o coitadismo antagônico ao empreendedorismo, defende a força policial, nega o conflito de classes e o racismo.

A extrema-direita chegou ao Poder Executivo através da despolitização da ação política e sua mercantilização familiar. Usou e abusou da tecnologia produtora contínua de informações falsas com sua midiosfera se tornando o lugar exclusivo de acesso às informações por parte de seus seguidores, imersos em uma câmara de eco. São avessos a quaisquer informações fora dessa bolha, classificadas a priori como fake News.

cultura colonizada, ainda presente no Brasil, um dos povos menos politizados do mundo e mais subalterno ao mandonismo ou caciquismo, o faz não questionar as decisões de políticas públicas por políticos ou tecnocratas.

Nesta eleição questionada por um comportamento social de não aceitação comiserada de uma condição social inferiorizada. Entre eleitores abaixo de 2 salários-mínimos (50% da amostra do Datafolha), Lula tem 54% contra 26% do Bolsonaro, ou seja, apresenta um empate técnico: 41% para o atual presidente e 37% para o antecessor.

Na reta final da eleição, a direita pretende obter votos dos eleitores indecisos e oscilantes entre esquerda e direita. Entretanto, o entusiasmo na rede social da direita está em seu ponto mais baixo, inclusive pela fragrante falsidade da declaração de “incorruptível e imbroxável”, dada a impotência do guru em impor a intervenção militar.

A política de alianças de centro-esquerda não devem excluir contatos com pessoas fora desse círculo ideológico. Sob o medo da violência armada dos bolsonaristas, está faltando a participação ativa de pessoas em corpo-a-corpo na campanha eleitoral, ser sutis e espertos tal como fomos na insubordinação social à ditadura militar em defesa da democracia.

Palavras PerdidasGENTE HONESTA E ESFORÇADA, OS DESVIANTES E OS COM SÍNDROME DE MANADA, Bem vindo a vida adulta!!!, 1º DE ABRIL – DIA DA MENTIRA, Fenômeno Baader-Meinhof, Cãolho math

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