Pagamento em cerveja

Quando a cerveja foi inventada, ela era muito diferente do que conhecemos hoje. Atualmente tomamos a bebida em momentos de lazer, como festas e happy hour, mas na época que a bebida foi criada, ela começou a fazer parte da dieta diária da população.

Era conhecida como algo básico e nutritivo, assim como o arroz hoje em dia, essa bebida ficou tão importante que por muitos anos foi utilizada como forma de pagamento no Egito.

Pagamento em cerveja

A primeira cerveja conhecida foi chamada  kui , produzida pelos antigos chineses por volta de 7.000 aC. Kui era feita de arroz, mel e frutas, mas a primeira cerveja de cevada provavelmente nasceu no Oriente Médio. Fatos Curiosos

A primeira evidência registrada da existência de algum tipo de cerveja vem de 7.000 anos atrás no Irã moderno. Os antigos egípcios, no entanto, foram os primeiros a aperfeiçoar o processo de fermentação para deixar a bebida mais suave e com uma cor mais clara, sendo considerada por muitos como a primeira cerveja “adequada” da história. Os antigos egípcios acreditavam que o deus Osíris lhes dera o conhecimento para produzir a cerveja, de modo que a bebida se tornou um objeto que chegou a ser bastante usado em cultos religiosos. TriCurioso

Arqueólogos descobriram o que poderia ser a mais antiga fábrica de cerveja conhecida do mundo em Abydos, Egito, uma enorme fábrica de 5.000 anos que produziu milhares de litros de cerveja, sendo uma vez o epicentro da adoração cult do Deus Egípcio Osíris, Abydos é uma das cidades mais importantes onde encontramos vastos cemitérios e templos magníficos, incluindo o templo memorial do faraó Seti I. Fatos Curiosos

De acordo com o arqueólogo Matthew Adams, da Universidade de Nova York, que lidera a missão conjunta com Deborah Vischak, da Universidade de Princeton, a cervejaria “pode ter sido construída neste lugar especificamente para fornecer os rituais reais que estavam ocorrendo dentro das instalações funerárias dos reis do Egito”. Esta conclusão baseia-se no fato de que arqueólogos encontraram evidências mostrando o uso de cerveja nos ritos sacrificiais dos antigos egípcios.

Fábrica de cerveja de 5.000 anos descoberta em Abydos, Egito. Agence France Presse/Ministério egípcio de Antiguidades

A cervejaria provavelmente remonta à era do rei Narmer, disse o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Mostafa Waziry, acrescentando que acreditava que o achado era “a mais antiga cervejaria de alta produção do mundo”.

No entanto, acredita-se que a evidência mais antiga de cerveja seja uma tabuinha suméria de 6.000 anos, mostrando pessoas bebendo uma bebida com canudos de junco em uma tigela comunal. Na Mesopotâmia (antigo Iraque), há evidências iniciais de cerveja na forma de um poema sumério de 3.900 anos em homenagem a Ninkasi, a deusa padroeira da cerveja, que contém a receita de cerveja mais antiga sobrevivente, descrevendo a produção de cerveja a partir da cevada via pão.

Arqueólogos desenterraram vasos de cerâmica de 3400 aC ainda pegajosos com resíduos de cerveja, e o “Hino a Ninkasi” de 1800 aC – uma ode à deusa suméria da cerveja – descreve uma receita para uma antiga e amada cerveja feita por sacerdotisas femininas.

Na antiga Mesopotâmia, as tabuletas de argila indicam que a maioria dos cervejeiros provavelmente eram mulheres, e que a fabricação de cerveja era uma ocupação bastante respeitada na época. A bebida fermentada de cereais apreciada pelos sumérios, a chamada cerveja suméria, pode ter sido sem álcool.

Os tabletes de Ebla, descobertos em 1974 em  Ebla, na Síria, mostram que a cerveja era produzida na cidade em 2500 aC. Os primeiros traços da cerveja e do processo de fabricação da cerveja também foram encontrados na antiga Babilônia. Os antigos babilônios, descendentes do povo sumério, fermentavam pelo menos 20 variedades diferentes de cerveja  em 2.000 aC. Em 2100 aC, o rei babilônico Hammurabi incluiu regulamentos que regem os donos de tavernas em  seu código de leis  para o reino.

Obviamente, as cervejas também eram naturalmente usadas para festejar. Elas eram classificadas de acordo com o seu teor alcoólico e sabor, com a cerveja média tendo um teor de álcool de 3-4%, enquanto a cerveja usada em festas religiosas ou cerimônias especiais apresentava um teor alcoólico maior e era considerada de “melhor qualidade”. Durante os festivais de Bast, os povos de Sekhmet e Hathor ficavam muito bêbados. Beber cerveja fazia parte da adoração dessas deusas egípcias e oferecê-la aos deuses também era comum no Antigo Egito. Os egípcios amavam tanto a cerveja que havia até mesmo um festival inteiro dedicado a isso, cujo nome significava algo como “Festival da Embriaguez”.

Curiosamente, cervejas também eram usadas como pagamento de mão de obra. Há evidências de que alguns trabalhadores chegaram a receber cerveja como parte de seu salário diário. Uma tábua de pedra cuneiforme de aproximadamente 5.000 anos, em posse do Museu Britânico em Londres, mostra como os trabalhadores recebiam suas rações diárias em ouro líquido. Fatos Curiosos

A tabuinha foi feita por volta de 3.100 a 3.000 aC. , escavado em Uruk , uma antiga cidade da Suméria e posteriormente da Babilônia, situada a leste do atual leito do rio Eufrates, retrata uma cabeça humana comendo de uma tigela, significando ‘ração’, e um recipiente cônico, significando ‘cerveja. Sem dúvida, existem várias razões pelas quais a cerveja era tão popular na Mesopotâmia. A bebida era mais segura e mais saborosa do que a água.

No antigo Egito, os trabalhadores frequentemente recebiam salários em  cerveja  e outros suprimentos, e os trabalhadores que moravam na vila de trabalhadores em Gizé recebiam cerveja três vezes ao dia como parte de suas rações. Uma ração diária pode ser de quatro a cinco litros de cerveja.

Existem também registros do poeta e “Pai da literatura inglesa” Geoffrey Chaucher recebendo um salário anual de 252 galões de vinho de Ricardo II.

O recebimento de salários na forma de álcool já aconteceu em várias ocasiões ao longo da história, e a tendência ainda é praticada por algumas empresas modernas.

Além disso, essa bebida era usada como remédio, onde se dizia tratar doenças do estômago, tosse e constipação. De fato, arqueólogos chegaram a encontrar mais de 100 receitas medicinais do Antigo Egito usando cerveja como ingrediente. Vale destacar que é geralmente aceito pelos historiadores que a cerveja era muito mais segura para beber do que as próprias águas de fontes duvidosas da época, o que fazia com que ela se tornasse parte da dieta diária dos povos de classes mais baixas. Para se ter uma ideia, existiam cervejas de baixo teor alcoólico que eram consumidas durante todo o dia, já que tinham um alto valor nutricional e um sabor adocicado.

Mas as principais diferenças eram os ingredientes. Por exemplo, o teor alcoólico da bebida era quase nulo, seu cheiro era forte e sua cor escura.

Embora os processos de fabricação de cervejas tenham permanecido relativamente os mesmos ao longo dos séculos, as receitas mudaram um pouco. No antigo Egito, eles ainda não haviam descoberto lúpulo e por isso a bebida era feita ao mergulhar pães cozidos em água, colocando-os posteriormente em frascos aquecidos para iniciar o processo de fermentação. Outras receitas incluíam cevada e trigo que também eram deixados para fermentar em jarras aquecidas. Os antigos egípcios adicionavam tâmaras e ervas para acrescentar doçura e profundidade ao sabor. Também havia uma hierarquia quando se tratava de qual cerveja estava disponível para beber. Dessa forma, a monarquia recebia a melhor disponível, enquanto os outros eram livres para preparar a sua própria bebida, poupando as mais fortes para se embebedarem em festas especiais. O curioso disso tudo é que o processo original de deixar os grãos fermentarem na água é tão simples e tão eficaz que as cervejarias de hoje utilizam métodos semelhantes, apesar de todas as tecnologias do mundo moderno.

Hoje em dia a produção da cerveja é feita com todo o cuidado, mas antigamente ela não era devidamente produzida, ou seja, era possível encontrar algum tipo de contaminação e é por esse motivo que a bebida deixou muitas pessoas doentes.

Esses casos de doenças cresceram tanto, que durante o Império Mesopotâmico foi criado o Código de Hamurabi, um dos códigos jurídicos escritos mais antigos do mundo. Em uma parte desse código, dizia que se uma pessoa vendesse cerveja estragada, receberia uma pena de morte por afogamento.

Existem diferentes leis sobre a comercialização, fabricação e o consumo da cerveja. Esse código até estabelecia a ração diária de cerveja que o povo da Babilônia deveria receber. Os trabalhadores deveriam ganhar 2 litros, os funcionários públicos 3. Já para os administradores e sacerdote, um total de 5 litros deveria ser adquirido.

Alguns povos que vivem próximo do Nilo conseguem até os dias de hoje fabricar cervejas parecidas com as da era dos faraós.

No Brasil, as primeiras cervejarias surgiram com a chegada de Maurício de Nassau, em 1637. O cervejeiro Dirck Dicx veio na mesma viagem de Nassau e montou uma pequena cervejaria em outubro de 1640 em uma residência chamada “La Fontaine”.

Mas foi só em 1808 que a comercialização realmente começou, com a família real portuguesa. Alguns anos mais tarde, em 1836, começaram a surgir até propagandas e a primeira notícia de fabricação de cerveja no Brasil foi publicada no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, da Cervejaria Brazileira.

Cerze-se: Cerveja Amanteigada de “Harry Potter “, Refrigerante, cerveja e a glicose, A tristeza ou a ignorância?!?, Beer, what’s?, Somos Toscos Iguais, Evoluimos?, Hojis é Sextis

2 respostas para “Pagamento em cerveja”

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