Não Podíamos Ter Figos Sem Vespas.

O mutualismo, uma forma de simbiose, é uma interação entre dois indivíduos que beneficia ambos – e está disseminado por todo o reino animal. LIZ LANGLEY

Um beija-flor-roxo, nativo do norte da América do Sul, alimenta-se de uma flor.
 FOTOGRAFIA DE ALEX SABERI, NAT GEO IMAGE COLLECTION

É bem conhecido que os polinizadores fornecem os nossos alimentos favoritos, desde morangos a sementes de girassol. Mas menos familiar é o que impulsiona a polinização: o mutualismo.

Trata-se de uma interação entre dois indivíduos da mesma espécie, ou de espécies diferentes, que beneficia ambos. O mutualismo é uma forma de simbiose, que é uma relação próxima e persistente entre dois organismos de espécies diferentes, mas não é necessariamente uma relação em que se entreajudam. Os outros tipos de simbiose incluem parasitismo, comensalismo e amensalismo.

Quando os polinizadores, como abelhas, borboletas e beija-flores, bebem o néctar das flores, também apanham o pólen – os espermatozoides da planta – e espalham esta substância por outras flores, ajudando a planta a reproduzir-se. Quando os polinizadores, como abelhas, borboletas e beija-flores, bebem o néctar das flores, também apanham o pólen – os espermatozoides da planta – e espalham esta substância por outras flores, ajudando a planta a reproduzir-se. O polinizador obtém uma refeição e a planta procria.

É uma estratégia tão bem-sucedida que a polinização envolve 170 mil espécies de plantas e 200 mil animais, contribuindo para 35% da produção mundial de alimentos.

As abelhas também são favorecidas por algumas flores. As flores da orquídea conhecida por erva-abelha, por exemplo, imitam a aparência das abelhas fêmea.

Como estas orquídeas também se conseguem autofertilizar, conseguem sobreviver sem o seu parceiro mutualista, sendo portanto um exemplo de mutualismo facultativo.

Labroides dimidiatus, ou peixe-limpador, é famoso por conseguir as suas refeições através da limpeza de parasitas da boca e guelras de peixes maiores – peixes que visitam propositadamente as suas “estações de limpeza” – nos recifes de coral do Indo-Pacífico, mas possuem outras fontes de alimento, como crustáceos, e esta também é uma relação de mutualismo facultativo.

Porém, no caso dos figos e das vespas-do-figo, ambos precisam um do outro para completar o seu ciclo de vida. A isto chama-se mutualismo obrigatório. Existem cerca de 750 espécies de figos, e cada uma tem uma vespa específica para a polinizar.

O ciclo de vida começa quando uma vespa fêmea perfura um figo, que não é uma fruta, mas sim um cacho de pequenas flores invertidas que estão envoltas numa casca dura. A vespa põe os seus ovos dentro do figo e morre. Quando as larvas eclodem, as larvas dos machos ainda sem asas fertilizam as fêmeas. As vespas fêmea crescem e visitam outros figos, levando consigo o pólen dos figos anteriores para completar o ciclo de vida.

Quando os animais comem frutas e cospem ou defecam as sementes, obtêm nutrição e uma variedade de plantas têm a possibilidades de florescer, denominados como os dispersores de sementes, são considerados mutualistas difusos.

O mutualismo especializado acontece quando um ou ambos os organismos têm uma relação mais exclusiva, como uma espécie de ave, a phainopepla do sudoeste dos EUA e do México, que dispersa as sementes de visco do deserto, uma planta parasita.

As acácias da América Central, por exemplo, podem ter desenvolvido espinhos ocos para as formigas de acácia viverem.

As formigas, por sua vez, podem ter desenvolvido comportamentos defensivos – formam “enxames” e picam – para proteger a árvore dos herbívoros.

Os organismos com relações mutualistas podem passar por uma coevolução onde duas espécies desenvolvem novos traços em resposta às necessidades uma da outra.

É tentador antropomorfizar os mutualismos como favores entre amigos, mas trata-se apenas de duas espécies que tentam responder às suas necessidades. E também pode ser uma relação com um equilíbrio precário.

“Isto é realmente matéria-prima para algumas trocas evolutivas muito interessantes entre parceiros”, diz Judith Bronstein, ecologista e bióloga evolucionista da Universidade do Arizona, em Tucson.

4 respostas para “Não Podíamos Ter Figos Sem Vespas.”

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