Mais da metade dos franceses não acredita mais em Deus!?!

O estudo foi feito pelo instituto Ifop para a Associação dos Jornalistas de Informação para as Religiões, mostra que pouco mais da metade dos franceses não acredita mais em Deus. Factótum Cultural

“Fala-se cada vez menos de religião”, escreve o jornal católico La Croix.

A pesquisa mostra que a religião é muito mais presente nos meios rurais do que nas cidades. Além disso, as pessoas com menos de 35 anos ou mais de 65 são as mais ligadas à crença.

“Você acredita em Deus?” foi a pergunta feita a 1.028 pessoas, numa amostra representativa da população francesa com mais de 18 anos, nos dias 24 e 25 de agosto.

Este ano, 51% dos entrevistados disseram “não”. Em 2011 e 2004, 44% responderam não acreditar em Deus. Em 1947, 66% dos franceses afirmaram crer em Deus.

Outra questão levantada foi se o incêndio da catedral de Notre-Dame de Paris, em 2019, suscitou sentimentos religiosos ou de “teor espiritual” – 79% responderam que não, mas 21% falaram que sim.

A pesquisa mostra também que os franceses falam cada vez menos de religião em família: 38% atualmente, contra 58% em 2009. Hoje em dia apenas 29% das pessoas falam sobre o assunto entre amigos, contra 49% em 2009.

Sobre o papa Francisco, 41% pensam que ele “defende bem” os valores do catolicismo, enquanto 44% opinam que “nem bem, nem mal”, e 15%, “mal”.

Para 54% dos interrogados, “todas as religiões são válidas”.

A Reforma do Cristianismo, no século XVI, e o cisma que se seguiu, mergulhou a França em longas guerras religiosas, como outros países da Europa. Católicos e protestantes massacravam-se uns aos outros e disputavam os favores dos monarcas em busca de privilégios políticos, de monopólio ideológico ou de mero direito à existência. Olé – Universidade Federal Fluminense

Nesse século houve nada menos do que oito guerras entre católicos e protestantes, na França, sendo ora uns ora outros vencedores. O último deles culminou com o Édito de Nantes, de 1598, no qual o rei Henrique IV assegurou a liberdade de culto no país.

Nove décadas depois, o édito foi revogado por Luís XIV, porque os huguenotes (nome dado aos calvinistas na França) opuseram-se ao seu absolutismo. O resultado foi a emigração em massa de protestantes, que buscaram refúgio na Grã-Bretanha, na Alemanha, na Holanda e em outros países, inclusive em colônias europeias na América do Norte, onde existia maior liberdade religiosa.

O século XVIII foi denominado pelos seus contemporâneos de “século das luzes”, alusão ao movimento filosófico que nele se desenvolveu: o iluminismo. Ainda que não fossem homogêneos nas ideias a respeito do homem e da sociedade, os filósofos pretendiam que a razão iluminasse as trevas da superstição e da ignorância com as luzes da razão, de modo que as descobertas científicas referentes ao mundo natural pudessem se estender ao mundo humano. Para isso, seria preciso, em primeiro lugar, recusar o princípio de autoridade, tão caro à Igreja Católica e à monarquia absolutista.

Munidos desse pensamento inédito, os filósofos do século XVIII submeteram a vida social de seu tempo a uma crítica implacável. Denunciaram as superstições, o fanatismo e a intolerância decorrentes da religião e atacaram os privilégios da nobreza, bem como as restrições por ela impostas à manufatura e ao comércio. Para eles, tudo isso mostrava que as instituições existentes – políticas, culturais, religiosas e morais – eram irracionais, isto é, contrárias à natureza racional do homem, impedindo, portanto, a realização plena de suas potencialidades.

A revolução francesa de 1789 abriu caminho para a prevalência do iluminismo na política, que resultou na desapropriação de bens eclesiásticos, inclusive as vastas propriedades rurais, na supressão dos privilégios políticos do clero e até mesmo na limitação do culto católico, tudo isso com forte apoio popular.

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão proclamou a independência do Estado diante de qualquer religião, especialmente no artigo 10, que dizia: “Ninguém deve ser molestado por suas opiniões, mesmo religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.” Nesse curto texto, encontram-se os dois pilares dos processos de secularização da cultura e da laicidade do Estado: a liberdade de crença e a prevalência do Estado (ordem pública) sobre a religião.

Embora o Estado francês esteja impedido, desde a lei de 1905, de subsidiar qualquer culto, mecanismos indiretos de apoio financeiro mantiveram-se, até hoje, tanto às escolas confessionais quanto às entidades assistenciais religiosas. São 8.500 os estabelecimentos de ensino católicos, “contratados” pelo governo, com 2 milhões de alunos, ou seja 20% da população escolar francesa (exceto no grau superior). Essas escolas ministram o programa oficial e adicionam o ensino religioso, com possibilidade de dispensa.

A laicidade do Estado francês não é homogênea, pois há um verdadeiro estatuto   enclave concordatário na região Alsácia-Mosela, onde as escolas públicas oferecerem ensino religioso, como faziam quando eram parte da Alemanha. Nessa região, onde há cultos reconhecidos pelo Estado, a manifestação pública da religião praticada por cada indivíduo é uma prática social antiga, que se expressa também no ensino religioso.

O panorama religioso da população francesa atual só pode ser quantificado por pesquisas amostrais ou por inferências, devido à proibição de que ela conste como quesito dos censos oficiais. As estimativas mais confiáveis dão conta de 65% de católicos na França, 6% de muçulmanos (de expressões bem diversas) e 2% de protestantes. Os ateus, agnósticos e sem religião somam 25% da população.

O gráfico abaixo apresenta a proporção de católicos entre os jovens de 16 a 29 anos de 22 países. Nota-se que os católicos são maioria em apenas 5 países, com destaque para a Polônia, com 82% de católicos, 17% de jovens sem religião e apenas 1% das outras religiões. Em segundo lugar vem a Lituânia com 71% de católicos, 25% de sem religião e 4% para todas as outras. Eslovênia, Irlanda e Portugal tinham em torno de 54% de católicos e algo em torno de 40% de sem religião. Em seguida, na ordem da proporção de católicos, vinha a Áustria (44%) e a Espanha (37%). José Eustáquio Diniz Alves – EcoDebate

Nos demais 15 países, os católicos estavam bem abaixo de 30%, sendo Hungria (26%) e Suíça, França, Bélgica e Alemanha variando entre 24% e 20%. No Reino Unido os católicos são 10% e no restante das 9 nações, a proporção de católicos estava entre 7% e 0%.

O relatório também traz a proporção de jovens que frequentam as igrejas. Evidentemente, a maior participação nos cultos ocorre na Polônia com 39% dos jovens dizendo que frequentam os cultos uma ou mais vezes por semana. Estranhamente, na Lituânia – que tem 71% de população católica – apenas 4% dos jovens dizem frequentar os cultos uma ou mais vezes por semana. Já na República Tcheca, 70% dos jovens jamais vão aos cultos. O número de jovens ausentes das igrejas é também muito elevado (em torno de 60%) na Holanda, Espanha, Reino Unido, Bélgica e França.

Para o continente como um todo, o cenário é de prevalência dos jovens sem religião ou daqueles que declaram uma filiação religiosa mas frequentam muito pouco os cultos semanais. O declínio da influência cristã (católicos e protestantes/evangélicos) é evidente. Os muçulmanos, em geral, são ampla minoria, mas fazem parte do grupo religioso com o maior crescimento e na Holanda e nos países nórdicos já superam os católicos.

Laicoze-se: Ogusu Apykay, O ultimo vídeo do apostolo Arnaldo, A igreja de todos os Deuses, Auroville: A cidade sem políticos, religião e dinheiro, Esses Ateus!!!

2 respostas para “Mais da metade dos franceses não acredita mais em Deus!?!”

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