Industria da multa

Todos os anos centenas de pessoas perdem a vida no trânsito só na cidade de São Paulo. No ano de 2019, 758 vidas foram perdidas, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Entre 2010 e 2019, mais de 10 mil pessoas foram vítimas de ocorrências fatais. Kelly Fernandes – UOL

É o uso disseminado da frase:

– A “Indústria da multa”. (que confio não ser absolutamente correta). ACésar Veiga – PORTAL DO TRÂNSITO

Recentemente estava lendo um artigo na internet afirmando que a maioria dos motoristas acredita na existência de uma indústria da multa de trânsito no país.

Agora, qual o motivo dessa crença?

Muitas pessoas, nesse estudo feito pela Confederação Nacional do Transporte, indica que as multas servem apenas para arrecadas e não para educar, e um exemplo disso seriam os vários radares instalados pelo nosso país.

Independentemente dessa crença, devemos observar o real intuito de uma infração de trânsito: evitar que um motorista coloque em risco as demais pessoas que fazem uso da via para ir ao trabalho ou para passear, através ações erradas, por exemplo, dirigir além da velocidade permitida ou dirigir sob a influência de álcool. Guilherme Jacobi – JusBrasil

O coordenador-geral de Operações Rodoviárias do Dnit, Romeu Scheibe Neto, respondeu, no entanto, que a cobrança é feita por faixa monitorada. “Se nós instalarmos lá e o equipamento não aplicar uma penalidade e é o que a gente mais deseja eu pago pelo serviço prestado. Um equipamento que registra um milhão de autuações e um equipamento que não registra absolutamente nenhuma, o custo por aquela faixa monitorada é o mesmo”, explicou. Agência Transporta Brasil

Outra  vinculação popularesca, ao grito da torcida, é que o objetivo é arrecadar, que os agentes possuem cotas a serem atingidas, entre outras falácias. Ora, o salário percebido pelo agente não se altera pelo volume da autuações que realiza, portanto sem qualquer procedência essa ilação.  A lei diz claramente no Art. 280 que ocorrendo infração será lavrada autuação, portanto deixar de fazer isso é prevaricar. Tarso Cabral Violin

Consciente da quantidade enorme de condutores, que desrespeitam as normas de trânsito – tanto nas vias públicas como nas estradas, rotulo esta rebelião de legítima e autêntica “crendice popular”.

Ao lado da epidemia de mortes no trânsito avançam também discursos que vinculam o controle de velocidades e responsabilização por comportamentos de risco com a intenção de construir um vilão a ser combatido, que supostamente estaria tirando o “prazer de dirigir”. Seria a chamada “indústria da multa”. Kelly Fernandes

Esse “vilão” ganhou para os governantes a mesma importância que a pandemia que já tirou a vida de mais de 100 mil pessoas, visto o espaço que o Projeto de Lei 3.267/2019 ocupou na pauta da Câmara dos Deputados.

Em muitos países, sistemas de pontuação mais rígidos reduziram os números de mortes e lesões no trânsito. No entanto, como números e evidências científicas muitas vezes não conseguem sozinhos dar conta da dimensão da perda de uma vida, trago aqui trechos do relato de Sérgio Lima em uma aula ministrada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Por fim, é importante perguntar a quem serve a narrativa que transforma fiscalização em “indústria da multa” e comportamento de risco no trânsito em “prazer de dirigir”? Talvez te ajude a construir essa resposta saber que dados do Painel Mobilidade Segura, da Prefeitura de São Paulo, mostram que mais de 74% dos veículos não têm multa.

– De que maneira o “agente fiscalizador” pode alterar o valor da velocidade que aparece digitalmente – após focalizar seu veículo -, no equipamento denominado “radar”? (também sabemos que eles devem ser constantemente aferidos)

– Que procedimento o “agente fiscalizador” usaria para trocar uma placa de sinalização na via, onde se identifica “permitido estacionar” para “proibido estacionar”, em instantes, enquanto você vai à farmácia, por exemplo?

Mas você utiliza aquelas desculpas do “tempo do ginásio”:

– A placa não estava aí!

– Não vi!

– Não sabia!

– Foi só por um tempinho!…e outras asneiras.

– E os equipamentos chamados de “pardais” – que fornecem a “foto” do seu carro?

…será que sempre indicarão valor de velocidade diferente da que o veículo realmente estava? (seria fácil demais para ser verdade)

– E ao receber “autuação” por não cumprir as normas de trânsito?

…são todas injustas? (se a resposta for afirmativa cabe “recurso”, pois é dever do cidadão denunciar a injustiça em toda parte. Você sabia?)

Nós humanos, não somos muito diferentes uns dos outros.

Somos no trânsito, o que somos no íntimo!

E aqui cabe o aspecto da índole, do sentimento, da maneira de pensar, e por fim…das atitudes.

Levamos para “rua” o que está dentro de nós, e não há como mascarar…

Consequentemente o objetivo de alguns “pousa” no campo de “levar vantagens”, e jamais o de “arcar com os seus delitos”.

A “imprudência”, seguramente reina como a principal causa dos denominados “acidentes” de trânsito, e o alerta mundial – que a tempos disparou –, é que ou abrimos os olhos ou acabaremos mortos…

O “imprudente” sempre é perigoso para uma sociedade mesmo que viva recluso em um lugarejo isolado.

Singularmente detenho oposição ao termo “acidente”, pois a palavra tende a “mascarar” os reais motivos envolvidos. (são como derrapagens inoportunas)

Considero “acidente” um acontecimento inesperado, sempre indesejável e que ocorre de modo não intencional…provocando danos pessoais, materiais e financeiros. (onde a NEGLIGÊNCIA jamais está presente)

No “acidente”, não há responsáveis porque o acontecimento foi imprevisível, ou até muito pouco provável.

Acidente é…o seu veículo ser atingido por um raio no meio da “via”, incendiar e você morrer tostado.

Acidente é…ocorre alguma falha mecânica involuntária e há colisão com outro veículo.

Acidente é…o motorista do coletivo – com “recomendada” saúde – conduzindo o veículo sofre um “infarto”, e assim desgovernado ocasiona atropelamentos…

NO “ACIDENTE” VOCÊ NÃO INTERFERE INTENCIONALMENTE NO EVENTO!

Estar com pressa, bebidas alcoólicas junto à condução de veículos, achar que a via pública é de sua exclusividade, o excesso de confiança do condutor em si mesma e na potência do motor do veículo, e as ações equivocadas dos condutores são as variáveis perfeitas para a composição da fórmula de colisões e mortes no trânsito.

É ingenuidade, e desconhecimento, acreditar que seja fácil a tarefa de combater as causas das imprudências.

Pois bem, se diz o mesmo das campanhas de conscientização para a mobilidade urbana.

Sozinhas elas não trazem resultados imediatos.

Estou falando das instalações de fiscalização eletrônicas, dos radares, das lombadas umas próximas a outras, das blitze, dos agentes de trânsito fiscalizando etc.

E qual o motivo desse batalhão de zeladores?

– Penso que é para ajudar aqueles que não sabem conviver em sociedade. (os denominados “eremitas urbanos”)

Agora pensem comigo…

Quando uma criança faz algo de errado, qual a obrigação dos responsáveis por ela?

– Sim, é corrigir; pois isto é parte importante na “Educação”.

De que maneira?

– Fornecendo alternativas para que “ela” compreenda o que é possível, e o que não é aconselhável.

Então, para um adulto que comete irregularidades, ao contrário de colocá-lo de castigo no quarto, (pois só isto não funcionaria)…em troca, você subtrai aquilo que “ele” aprecia.

Na criança sabemos que é a restrição no uso do “aparelho eletrônico”, e no adulto – sem muito tempo a perder – é…o citado “mexer no bolso”. (Particularmente acho esse termo “inexato” e “ignorante”)

Básico, simples e de eficácia enorme…só que tristonho.

Consequentemente, se o “imprudente” não deseja perder o que faz feliz, resta comportar-se bem.

Lembra o motivo pelo qual o professor na escola cuida a “avaliação” usando óculos escuros?

– Recordou?

Sim, é patético, mas necessário…ou você diria que igualmente existe a “Indústria do não deixar colar” nas Escolas, da qual a matéria prima todos sabemos é o aluno desonesto?

OBS: Cabe complementar que nenhuma indústria funciona sem “matéria prima”.

Nesse sentido, a melhor forma de combater a indústria da multa é utilizarmos as vias de acordo com as regras estabelecidas em nossa legislação de trânsito, tendo em vista a segurança coletiva, ainda que haja vários radares instalados na sua cidade.

Multeze-se: Multa Moral, Industria da multa???, No lugar da multa, um sorriso!, Multa não, ciclovia!, Franck Caprio, Momentos Satisfatórios Em Que O Karma Recompensou Pessoas Boas

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