Adeus, iFood’s da vida!

“A luta não é só por melhoria dentro do aplicativo. Até porque muito foi refletido internamente de que lutar por melhoria dentro do aplicativo não resolve nossos problemas, né? Os donos de aplicativos querem encher o bolso de dinheiro, não querem de fato melhoria do trabalho do entregador”, afirma Eduarda Alberto, entregadora do Rio de Janeiro que levou a ideia da cooperativa para dentro do movimento Entregadores Antifascistas junto com outro colega de trabalho, Alvaro Pereira. Mariana Schreiber – BBC News Brasil

A segunda paralisação nacional do Breque dos Apps ocorreu no sábado (25/7) em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Vitória, Porto Alegre e Rio Branco, mas, em geral, com atos menores que os realizados no início do mês.

“Então, eles (as grandes empresas) podem até fazer alguma coisa (atender alguma reivindicações) para calar nossa boca, mas a única possibilidade de melhora mesmo é com autogestão”, acredita ela, que é também estudante de Arquitetura e Urbanismo.

Os Entregadores Antifascistas têm buscado inspiração em cooperativas de entrega que já existem no exterior, embora, em geral, sejam ainda iniciativas recentes que contam com cerca de 20 a 30 entregadores apenas. É o caso da Mensakas, criada em Barcelona a partir de um movimento grevista contra a Deliveroo (empresa de entregas forte na Europa) em 2017.

“O primeiro desafio está sendo convencer a galera do Coopcycle a inserir motocicleta na própria plataforma deles, porque pouparia muito trabalho de desenvolvimento. Se não for viável, a gente vai desenvolver uma nova em cima do código aberto que eles liberam”, diz a entregadora.

“Eles só aceitam bicicleta por uma questão ideológica de desempenho ambiental que eu respeito muito, mas que surge dentro de uma realidade europeia muito diferente da brasileira”, ressalta.

Enquanto o aplicativo não sai do papel, Alberto acaba de criar com mais seis colegas do ramo o coletivo de entregas Despatronados.

O Señoritas Courier, um coletivo de entregas por bicicleta em São Paulo formado apenas por mulheres ou pessoas LGBT, não conseguiu usar a plataforma porque a federação só aceita cooperativas, conta a fundadora do grupo, Aline Os.

É ela que gerencia as entregas por meio do WhatsApp e o Instagram, atendendo a uma rede de clientes “com valores alinhados ao do coletivo, como marcas veganas ou que valorizem a economia feminista e a economia negra”.

“Faço tudo na mão. Em 2018, inscrevi o coletivo em vários editais de fomento para projetos sociais, tentando conseguir os recursos para um aplicativo, mas nenhum aceitou e continuamos atuando como um coletivo informal”, lembra ela.

Agora, o Señoritas Courier está avaliando fazer uma vaquinha online para levantar cerca de R$ 8 mil para os gastos de criar uma cooperativa, como contratação de advogado e contador e o pagamento de taxas de cartório.

Rafael Zanatta têm colaborado com os Entregadores Antifascistas na criação da cooperativa, doutorando do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo e tradutor do livro Cooperativismo de Plataforma, de Trebor Scholz, para o português.

“O cooperativismo de plataforma não elimina a big tech (grande empresa de tecnologia), assim como hoje o associativismo (de pequenos agricultores) não elimina a big food (redes de supermercado). Mas acho que são campos de resistência, de tornar os mercados mais plurais, e de dar alternativa para o cidadão escolher”, afirma Zanatta.

“E elas podem também provocar debate interno (nas grandes plataforma). Essas empresas têm pavor de que grandes influenciadores comecem a gravar vídeos contra elas e defender uma cooperativa como alternativa. Então, isso pode provocar algumas decisões internas de melhorias das condições de trabalho para tentar antecipar esse movimento de crítica ou de saída”, reforça.

iFoodze-se: Amigão Vacilão, Coleta Seletiva e Reciclagem em condomínios, CASES SEBRAE: BANCO PÉROLA, HERSELF E SUMÁ, Mercado de Resíduos Sólidos, Ciclolix e a bike lixo!, Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), “Vamos seguir resistindo”: recado dos povos da floresta

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