Aroeira-vermelha

A aroeira foi utilizada pelos jesuítas que, com sua resina, preparavam o ”Bálsamo das Missões“, famoso no Brasil e no exterior, graças a uma resina aromática, conhecida como mastique. No Brasil o nome aroeira vem da expressão árvore de arara. Considerada sagrada pelos incas, os sacerdotes utilizavam suas cascas para fins medicinais. Também era utilizada peles nativos sul americanos para produzir uma tinta amarela.

Segundo um novo estudo da Universidade Emory, nos EUA, os frutinhos da aroeira-vermelha, também chamada de aroeira-pimenteira, contêm um extrato com o poder de neutralizar bactérias resistentes a antibióticos. A planta nativa brasileira é usada por curandeiros tradicionais da Amazônia há centenas de anos para tratar infecções da pele e dos tecidos moles. Vivmetaliun

Os pesquisadores mostraram que uma composição refinada, rica em flavona, extraída das bagas inibe a formação de lesões cutâneas em ratos infectados com Staphylococcus auereus resistente à meticilina (MRSA).O composto não mata as bactérias, mas reprime um gene que permite que as suas células se comuniquem umas com as outras. Bloquear essa comunicação impede que as células realizem ações coletivas.

A descoberta pode ajudar a criar novas formas de tratar e prevenir infecções resistentes a antibióticos, um problema crescente. De acordo com a Organização das Nações Unidas, as infecções resistentes aos antibióticos são uma “ameaça fundamental” para a saúde e segurança global. Scientific Reports [MedicalXpress]

Nome científico: Schinus terebinthifolius

Nomes populares: aroeira,aroeira-vermelha, aroeira-pimenteira, poivre-rose (em francês), aguaraíba, aroeira-branca, aroeira-da-praia, aroeira-do-brejo, aroeira-do-campo, aroeira-do-paraná, aroeira-mansa, aroeira-negra, aroeira-precoce, aroerinha-do-iguapé, bálsamo, cambuí, fruto-do-sabiá.

Família botânica: Anacardiaceae

Devido ao alto teor de tanino, é empregada nos curtumes para curtir peles e couros. As folhas maduras passam por forrageiras. No Peru, a aroeira é utilizada após fermentação para se fazer vinagre e bebida alcoólica por uma companhia que criou uma outra patente em 1997 para um preparado similar usado para limpeza de pele e de ação bactericida. Toda Fruta

A planta inteira é utilizada externamente como antisséptico no caso de fraturas e feridas expostas. O óleo essencial é o principal responsável por várias atividades desta planta, especialmente à ação antimicrobiana contra vários tipos de bactérias e fungos e contra vírus de plantas, bem como atividade repelente contra a mosca doméstica. Este óleo essencial, rico em monoterpenos, é indicado para distúrbios respiratórios. É eficaz em micoses, candidíases (uso local) e alguns tipos de câncer (carcinoma, sarcoma,etc.) e como antiviral e bactericida. Possui ação regeneradora dos tecidos e é útil em escaras, queimaduras e problemas de pele. Externamente, o óleo essencial da aroeira brasileira utilizado na forma de loções, géis ou sabonetes, é indicado para limpeza de pele, coceiras, espinhas (acne), manchas, desinfecção de ferimentos, micoses e para banho.

Em muitos estudos in vitro, extratos da folha da aroeira brasileira demonstram ação antiviral contra vírus de plantas e apresentam ser citotóxicos para 9 tipos de câncer das células. Em banhos é utilizado o decocto da casca de aroeira para combater úlceras malignas.

A planta possui um óleo essencial rico em mono e sesquiterpenos, taninos, resinas, alcaloides, flavonoides, saponinas esteroidais, esteroides, triterpenos, cis-sabinol, p-cimeno, limoneno, simiarinol, alfa e beta pineno, delta-caroteno, alfa e beta-felandeno e terechutona.

Graças à concentração de ácido gálico, deduz-se que seus efeitos antimicrobianos, adstringentes e anti-inflamatórios sejam efetivos. Mas não há provas clínicas suficientes. É uma das 89 plantas da RESINUS e uma das 66 plantas do anexo RDC ANVISA n. 10/2010. Devido a suas propriedades medicinais, foi incluída na primeira edição da Farmacopeia Brasileira de 1929.

A Aroeira vermelha nativa da América do Sul, perene, de crescimento rápido, dióica, de 5-9 metros de altura, troncos entre 30-60 centímetros de diâmetro, revestidos de casca grossa, suas olhas são compostas, aromáticas, verde clara, folíolos obovados, membranosos e glabros, de clima tropical e subtropical, não tolera geadas.

O fruto é redondo, vermelho-brilhante, com uma única semente, agrupados em cachos, aromático, de sabor levemente picante e adocicado, e surgem de Janeiro a julho e são muito atrativos para os pássaros, principalmente os sanhaços.

Em jardins é usada como planta isolada ou em grupos; como cerca-viva; também em calçadas, inclusive pode ser plantada em ruas curtas e sob fios elétricos. A planta rústica nasce em beira de rios, córregos e várzeas úmidas, mas também cresce em terras secas e pobres, deve ser cultivada sob sol pleno, em solo fértil, enriquecido com matéria orgânica e regada diariamente nos primeiros meses após o plantio, multiplica-se por sementes e facilmente por estacas.

As podas de formação estimulam uma copa mais densa e arredondada. Para a formação de cercas-vivas as podas devem ser efetuadas cedo para estimular o surgimento de múltiplos caules.

A dispersão de suas sementes são feitas pelos pássaros, o que possibilita uma ampla dispersão, sendo considerada uma planta invasiva em muitos países onde é proibida, devido a facilidade de propagação. No Brasil é considerada uma praga por agricultores. 

A aroeira-mansa é uma boa árvore para se ter no jardim, suas flores atraem abelhas e outros polinizadores, seus frutos atraem pássaros e também podem ser usados na alimentação, em saladas (o frutinho vermelho é chamado de pimenta-rosa, tem sabor peculiar, levemente picante e adocicado. greenMe

Descoberta da pimenta rosa transforma vidas em Piaçabuçu

É uma planta prima do cajueiro, existe uma outra aroeira, a brava, Lithraea molleoides, nativa no Brasil também, que é de onde se extrai a terebintina, solvente de tinta a óleo, e é altamente alergênica, não confundir uma espécie com a outra pois as alergias de aroeira-brava são bastante violentas (e quem tem alergia de aroeira-brava também tem de cajueiro, tome atenção).

Nos campos brasileiros também se encontra uma aroeira-rasteira ou aroeira-do-campo, e outra conhecida como aroeira-mole, ambas com os mesmos efeitos curativos da aroeira-mansa.

Aroeire-se: História da Maconha, Tintura anti-inflamatória e outras misturas, Jardim da Empatia, 3 documentários com Ernst Götsch – o guru da agrofloresta – Jardim do Mundo, Protea, Les Avanchets, Plantas Alimentícias Não Convencionais, alternativaS?!?, Medellín: agricultura urbana, Manual sobre os usos de plantas amazônicas, 7 ervas legais

2 respostas para “Aroeira-vermelha”

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