Jesus, O estranho!

Quando criança, Jesus matou um colega com o poder de sua voz, andou sobre um raio de sol e salvou a vida de seu irmão moribundo. Desobedeceu aos pais e destratou os professores. Também foi educado na Índia, com passagem pela Pérsia e até mesmo pela Grécia. E ainda teria ido à Inglaterra, levado por José de Arimateia (o homem que depois, segundo a Bíblia, cuidou de seu enterro). Aventuras na História

Nesse meio tempo, encontrou-se com vários personagens que se revelariam importantes em sua vida adulta. Na juventude, foi um seguidor fiel de João Batista, um essênio, a seita dos judeus ascetas.

A Bíblia é omissa em 26 dos 33 anos de Cristo. O que teria feito durante sua infância, adolescência e boa parte da vida adulta? Muitas fontes antigas pintam um retrato diferente do filho do Deus dos cristãos.

Uma lenda, ainda hoje muito popular naquele país, supõe que Jesus seria egípcio, filho da rainha Cleópatra e do general romano Marco Antônio. Para preservar o fruto de um relacionamento tão perigoso politicamente, ele teria sido doado para ser criado por José e Maria, e seria um bizarro caso de poderosos que doam o filho para ser criado por gente pobre.

Marco Antônio e Cleopatra, por Lawrence Alma-Tadema, 1883; mostra o momento em que Antônio encontra Cleopatra em 41 a.C. / Crédito: Wikimedia Commons

Outras lendas sobre Jesus no Egito se mostrariam decisivas para Ortodoxa Copta, denominação cristã no país e no mundo árabe, hoje com 15 milhões de seguidores.

O nascimento de Jesus está presente nos textos sagrados de outra religião, o Islã. Segundo o Alcorão, tal como na Bíblia, ele nasceu de uma virgem. Mas ali é comparado a Adão, pois ambos vieram ao mundo diretamente pela vontade de Alá.

Os muçulmanos, porém, não o chamam de filho de Alá. Para eles, Jesus é um profeta. E dos grandes, o que antecedeu a Maomé, o maior de todos.

Maria, para os islâmicos, não deu à luz numa manjedoura, mas no deserto – e era solteira. Ao sentir as dores do parto, Jesus falou com ela de seu útero, dizendo para que chacoalhasse a tamareira sob a qual estava abrigada.

Ela deveria comer os frutos que caíssem no chão e beber a água de um riacho próximo — eram presentes de Alá para que se sentisse melhor. Jesus nasceu logo depois.

Quando voltou a Belém, Maria foi ridicularizada. Na sinagoga, o recém-nascido, com apenas 40 dias de vida, falou para a comunidade, que duvidava do milagre e acusavam Maria de ser mãe solteira: “Sou, de fato, servo de Alá. Ele fez de mim um profeta”.

Para além das religiões estabelecidas, histórias da infância de Jesus extrapolam a própria geografia do Oriente Médio. Ele não só teria sido educado na Índia e em monastérios do Himalaia como teria escapado da crucificação, voltado para a Caxemira, passando por Grécia e Pérsia — e permanecido em território indiano até a morte, aos 120 anos.

Quem consolidou a lenda foi o jornalista russo Nicolai Notovitch, em The Unknown Life of Jesus Christ, após visita à Índia, em 1887.

Jesus não era apenas um aprendiz de marceneiro, ou pedreiro (a palavra tekton define melhor um mestre de obras, um faz-tudo, do que um carpinteiro). “Ele sabia ler e escrever e conhecia as Escrituras com bastante profundidade”, diz a historiadora Paula Fredriksen, da Universidade de Boston.

Jesus aprendendo com José, o Carpinteiro, por Georges de La Tour, déc. 1640 / Crédito: Wikimedia Commons
Séforis abriga um grande sítio arqueológico – ruas inteiras com casas judaicas foram desenterradas e preservadas. “Séforis é o lugar ideal para se imaginar a formação do jovem Jesus. Fornecia o ganha-pão para ele e sua família e a instrução que ele certamente recebeu”, afirma Robert Eisenman, professor de religião e arqueologia da California State University.

O autor, de origem gentia, reuniu relatos orais e epístolas. “O Evangelho de Pseudo-Tomé é o mais influente texto apócrifo sobre a infância de Jesus”, diz James Tabor, professor da Universidade da Carolina do Norte. TIAGO CORDEIRO

Uma das passagens do Evangelho de Pseudo-Tomé conta uma história que também está citada no Alcorão. Menino, Jesus fez 12 pássaros de barro durante o sábado. Seu pai, José, o repreendeu, por trabalhar em um dia considerado santo para os judeus.

Como resposta, ele soprou os pássaros, que imediatamente ganharam vida. Em outra passagem, dá vida a um peixinho morto. Certa vez, desafiou seus amigos a subir por um raio de sol que entrava pela janela. Ninguém topou, e então ele mesmo caminhou sobre o raio.

O mesmo evangelho mostra um lado pouco conhecido e sombrio de Jesus. O filho do escriba Anás destrói uma pequena represa que o menino havia construído. Furioso, ele lança uma maldição: “Ficarás agora seco como uma árvore”. E o garoto fica paralisado.

No texto, ele aparece como responsável pela morte de mais dois meninos. Outra criança é amaldiçoada depois de dar um soco em Jesus. Os pais da vítima procuram José e Maria para reclamar e Jesus faz com que fiquem cegos.

“Jesus teve irmãos, disso não resta a menor dúvida”, afirma Robert Eisenman. “Os textos sagrados fazem referência a eles e a cultura e a economia locais não possibilitavam a existência de uma família pouco numerosa.”

Os Evangelhos citam seis, duas mulheres, das quais se desconhecem os nomes, e quatro homens: Tiago, Judas, José e Simão. A interpretação de que “irmãos” é uma tradução aberta da expressão grega adelphos, que dá espaço para considerar que eles eram primos ou discípulos muito fiéis, não se sustenta — ainda que seja a oficial para a Igreja Católica.

Um de seus tutores, de acordo com o Evangelho de Pseudo-Tomé, tenta ensinar-lhe grego. “Diga alfa”, diz o professor. “Primeiro me diga o significado de beta”, rebate o menino. Irritado, o mestre tenta bater em Jesus. E na primeira palmada cai morto.

Um fragmento de um antigo papiro, fornece a primeira evidência concreta a respeito do casamento de Jesus. O texto, escrito em copta, uma língua egípcia baseada no grego, afirma: “E Jesus disse: minha mulher”. Em outro trecho, encontra-se a frase: “ela poderá ser minha discípula”.

A maior candidata a esposa é Maria Madalena, a seguidora que, de acordo com os Evangelhos canônicos, descobriu que o túmulo do mestre estava vazio três dias depois de sua morte e anunciou a novidade aos discípulos (e, com isso, tornou-se a primeira apóstola em sentido literal, a primeira pessoa a divulgar a boa-nova).

Madalena Penitente, por Domenico Tintoretto, 1598 / Crédito: Wikimedia Combina

A professora Karen King, da Universidade Harvard, afirma que esse papiro pode fazer parte de um Evangelho da Esposa de Jesus, um texto apócrifo mais longo com informações sobre a vida conjugal do messias.

O chamado Evangelho da Esposa de Jesus tem semelhanças com o Evangelho de Maria, um texto descoberto em 1896 e publicado em 1955. Nele, Madalena é uma discípula importante, cujos conhecimentos dos ensinamentos de Jesus superam até os de Pedro, o primeiro bispo.

No Evangelho de Maria, Pedro diz a Madalena: “Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos.”

Se Jesus foi casado, será que teve filhos?

Os autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln defendem que o filho de Jesus e Maria Madalena deu origem à dinastia merovíngia. Donovan Joyce argumenta que Cristo teve vários filhos, que viveram na Cashemira.

A romancista americana Kathleen McGowan foi mais longe: afirma ser ela mesma descendente direta do casal.

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