A Revolta dos Macacos

Homem não descende dos macacos.
A Revolta dos Macacos (Pompilho Diniz)

Só nos trouxe desvantage
Essa ta de descendênça.
Pois pru mode essas bobage,
Houve tanta desavença,
Que de argum tempo pra cá
Bicho nenhum quer mais dá
A macaco muita crença…

No entanto vocês se engana
Pió mentira não há.
Coquero não dá banana
(cada coisa em seu lugá)
Nem bananera dá coco
Nóis, os macaco tampouco
Vai outro bicho gerá

E nenhum de nóis aceita
Na famia essa braiada.
Nossas macaca é direita
Muito honesta e respeitada
É por isso que eu duvido
Que os homi tenha nascido
No meio da macacada

Se os homi tivesse em fim
descendência de macaco,
num havia gente ruim
e nem sujeito veiaco.
Vivia sem ter trabaio
Drumindo no memo gaio
Comendo no memo caco

Repare se argum macaco
bebe cachaça pru viço.
Se cheira tabaco…
Ou desejando sumiço,
ele memo se matasse.
Mas os homi quando nasce
Já tem tendença pra isso

Veja bem se argum de nois
somente por ambição
Guardando rancor feroz
mata seu prório irmã.
Que ele seja forte ou fraco
macaco contra macaco
nunca fez revolução

Animá nenhum da terra
Tem esse instinto do homi
de vivê fazendo guerra
Matando os outro de fomi.
Entre nóis há união.
Sem haver exproração
quando um comi os outro comi

Se um macaco tá doente,
cura seu má com resina.
Mas os homi é deferente.
Faz primeiro uma chacina
em tudo quanto é macaco
e dele fazer vacina

Também as nossa macaca
Num dexa os fio cum fomi
nem arruma a sua maca
e pelo mundo se somi
atrás de outro chimpanzé
Cumo faz essas muié
fugindo com os outro homi

As nossas macaca véve
Cuidando só da famia.
Nenhuma deles se atreve
ir de noite pras folia
deixando em casa seus fio
bandonado, com frio
pra vortá no outro dia

Porém, nada disso importa
E pra falá francamente
Nóis enfim só não suporta
a mentira dessa gente
que pra manchá nosso nome,
quer pru força que esses homi
seja nossos descendente.

Veja também: Planeta dos Macacos, Carta à Sra. “Presidenta” da República, Darwin cadê você?, Empoderamento dos recursos, Na trave!, Via Láctea pelo navegador, Na estrada havia uma pedra, Em progresso, Bandeirantes Modernos, Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz – UMAPAZ

23 respostas para “A Revolta dos Macacos”

  1. Para analisar toda e qualquer ação, seja de reforma, mudança ou transformação social, é imprescindível que o observador, mediante o mecanismo da introspecção, se situe no ponto de vista do ator; posto isto, sustento que o vazio partidário e sindicalista que se dá nesse movimento de revolução nas ruas é porque, aos olhos dos cidadãos, todos os partidos e sindicatos tradicionais de esquerda e/ou direita estão atrelados aos governos, e todos os governos (municipal, estadual e federal) estão buscando pactos de governabilidade com baseem uma coalizão com as estruturas, tanto partidárias, quanto sindicais, com uma demonstração de tentativa de eliminar qualquer possibilidade de oposição, desconhecendo o fato de que,quando a oposição é forte, segundo a razão, bom senso e boa intenção; bem como a capacidade, conhecimento e atitude; e ainda, se ela é, ao mesmo tempo, inteligente, instigante e interessante, então o Estado é tão forte quanto.

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